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Duarte Pacheco Pereira
Cosmógrafo, navegador, guerreiro, Duarte Pacheco Pereira, nascido cerca de 1460, teve uma actividade multifacetada e notável ao serviço dos reis D. João II, D. Manuel e D. João III.

Na sua qualidade de cosmógrafo, foi escolhido por D. João II para fazer parte das testemunhas nas negociações e posterior assinatura do Tratado de Tordesilhas.

Como navegador, tem sido considerado precursor de Pedro Álvares Cabral na descoberta do Brasil, durante uma viagem pelo Atlântico, que teria realizado em 1498.

No Oriente, distinguiu-se em vários feitos militares, o que lhe mereceu ser recebido como herói, por D. Manuel I, no seu regresso da Índia. Várias foram as missões que, como guerreiro experimentado, desempenhou posteriormente.

É autor do Esmeraldo de situ orbis, obra que ficou incompleta e que constitui um roteiro comentado das costas ocidental e oriental da África, sendo também «uma obra de grande significado na escassa literatura coeva relacionada com as navegações», como afirma Luis de Albuquerque (v. Dicionário de História dos descobrimentos portugueses, vol. II). Nela, Duarte Pacheco Pereira refere, embora não muito claramente, que o rei D. Manuel o tinha mandado descobrir «uma tão grande terra firme» a ocidente do Oceano Atlântico, facto até hoje desprovido de provas convincentes e que deu origem a várias especulações sobre a sua veracidade.

J. Barradas de Carvalho no seu estudo da figura de Duarte Pacheco Pereira e da importância da sua obra no contexto do Renascimento português, considera como certo que a exploração se tenha realizado, chefiada por este navegador e cosmógrafo, que o seu destino provável era a costa brasileira e que terá mesmo passado além da linha de demarcação estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas (cf. A la recherche de la specificité de la Renaissance portugaise, Paris, Fond. Cal. Gulbenkian, 1983).

Jorge Couto no seu livro, A construção do Brasil, apresenta uma «proposta interpretativa» dos dados existentes, a qual vai no sentido de considerar que Duarte Pacheco Pereira realizou, efectivamente, essa missão, tendo atingido a costa brasileira na zona respeitante ao norte do Maranhão e foz do rio Amazonas. Com o intuito de calcular a localização do meridiano de Tordesilhas, o cosmógrafo régio aproximou-se do litoral brasileiro naquela zona, a qual foi considerada como estando localizada «na esfera de influência castelhana. Esse motivo - de carácter político-diplomático - explicaria que Portugal não tivesse divulgado as descobertas que efectuou, respondendo, assim, às interrogações colocadas sobre as razões que teriam estado na origem da ocultação dos resultados obtidos por aquela expedição».
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