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Literatura de viagens
A literatura de viagens, embora com alguns antecedentes medievais, surge na Europa nos finais do séc. XV e desenvolve-se no século XVI com o aparecimento de novas realidades, tanto no que se refere à descoberta de novos territórios, como ao encontro com novas gentes e raças até então desconhecidas. No dizer de João Rocha Pinto, «a expansão europeia deu azo a uma proliferação massiva de documentos e testemunhos que se foram constituindo como um corpus vasto e heteróclito, alargando-se mais e mais, acompanhando, de maneira mais ou menos diferida, as vicissitudes dos descobrimentos e as temerárias viagens no desconhecido em missão de «achamento» ou ainda registando, ao sabor da corrente factológica, as diversificadas «invenções» de outras terras e outras gentes» (cf. Literatura de viagens, in Dicionário de História dos descobrimentos portugueses, vol.II).

«A Carta de Caminha não é um caso único. Pertence a um género, o mais vivo, próprio e original da literatura portuguesa: as narrativas de viagem (...) As primeiras relações de viagens foram por certo traçadas no mar pelos escrivães das caravelas do Infante D. Henrique. No livro ou livros de bordo, inscreviam-se com os dados de carácter geográfico sobre os novos descobrimentos - rumos, número de milhas ou léguas percorridas, terras descobertas e nomenclatura imposta - as trocas comerciais realizadas com os indígenas, sob a forma de despesa e de receita. Como era lógico os escrivães apontavam essas notas progressivamente e dia a dia, ao sabor dos acontecimentos. Daí os livros ou relações dos escrivães tomarem a forma de diários, ainda que sem continuidade inalterada (...) Quando Caminha escrevia a sua carta em Porto Seguro, havia mais de meio século que os escrivães portugueses exercitavam e afinavam a arte de registar os fatos de maior relêvo da viagem». Assim se exprimia Jaime Cortesão no estudo que acompanha a edição da Carta de Pero Vaz de Caminha, em 1943.

Mais recentemente, ao propor uma classificação para a literatura de viagens, João Rocha Pinto considera a Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel, em 1500, como o exemplo mais conhecido de um conjunto de cartas, memórias e testemunhos os mais diversos que se integram num grupo mais vasto, o das fontes narrativas.

O território brasileiro pelas suas características geográficas e étnicas constitui um paradigma da atracção que o «novo mundo» exerceu em viajantes, cientistas e aventureiros europeus, que, a partir do séc. XVI, relataram as suas experiências, observações e aventuras ao mundo seu contemporâneo, o qual as recebeu sempre com voraz curiosidade, como se verificou entre outros autores com Hans Staden, Jean de Léry, André Thévet, John Nieuhoff e La Condamine.
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