Sophia
de Mello
Breyner
Andresen
anos 40
Os jardins
Os cadernos rasgados
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Retrato de Sophia
desenhado por Julio,
(irmão de José Régio).
anos 40
 

As rosas

Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.

in Dia do Mar, 1947

Sabe, se quer que lhe diga, do que eu me lembro bem, e para mim o que é importante, é os sítios onde escrevi, as situações em que escrevi. Há um poema que diz: «Quando à noite desfolho e trinco as rosas». Isto é absolutamente verdade: eu ia para o jardim da minha avó colher rosas, a minha avó já tinha morrido e era um jardim semi-abandonado, colhia camélias no Inverno e rosas na Primavera. Trazia imensas rosas para casa, havia sempre uma grande jarra cheia delas em frente da janela, no meu quarto. E depois eu desfolhava e comia as rosas, mastigava-as... No fundo era a tentativa de captar qualquer coisa a que só posso chamar a alegria do universo, qualquer coisa que floresce. Resposta a JCV
continua...

 
LEGENDA Fotografias: Colecção Família de Sophia de Mello Breyner Andresen
Manuscritos: Espólio de Sophia de Mello Breyner Andresen
Entrevistas: JCV - José Carlos de Vasconcelos
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