Sophia
de Mello
Breyner
Andresen
anos 60
Algarve
Grécia
Brasil
Política
O protesto dos católicos
Sophia na Grécia em 1963
Início Introdução 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 Bibliografia e Prémios
outros poemas:ÍtacaCrepúsculo dos Deuses

Epidauro

O cardo floresce na claridade do dia. Na doçura do dia se abre o figo. Eis o país do exterior onde cada coisa é:

trazida à luz
trazida à liberdade da luz
trazida ao espanto da luz

Eis-me vestida de sol e de silêncio. Gritei para destruir o Minotauro e o palácio. Gritei para destruir a sombra azul do Minotauro. Porque ele é insaciável. Ele come dia após dia os anos da nossa vida. Bebe o sacrifício sangrento dos nossos dias. Come o sabor do nosso pão a nossa alegria do mar. Pode ser que tome a forma de um polvo como nos vasos de Cnossos. Então dirá que é o abismo do mar e a multiplicidade do real. Então dirá que é duplo. Que pode tornar-se pedra com a pedra alga com a alga. Que pode dobrar-se que pode desdobrar-se. Que os seus braços rodeiam. Que é circular. Mas de súbito verás que é um homem que traz em si próprio a violência do toiro.

Só poderás ser liberta aqui na manhã d’Epidauro. Onde o ar toca o teu rosto para te reconhecer e a doçura da luz te parece imortal. A tua voz subirá sozinha as escadas de pedra pálida. E ao teu encontro regressará a teoria ordenada das sílabas — portadoras limpas da serenidade.

In Geografia, 1967

continua...

Tolon

Um mar horizontal corta os espelhos
E um sol de sal cintila sobre a mesa
Habitamos o ar livre rente ao dia
Rente ao fruto rente ao vinho rente às águas
E sob o peso leve da folhagem
In Geografia, 1967
Sunion

Na nudez da luz (cujo exterior é o interior)
Na nudez do vento (que a si próprio se rodeia)
Na nudez marinha (duplicada pelo sal)

Uma a uma são ditas as colunas de Sunion
In Geografia, 1967
Fragmentos do diário manuscrito na primeira viagem à Grécia em 1963

Dia 10 de Setembro (1963)
Chegámos a Brindisi às seis para tomar o barco da companhia Adriática que partia às 10. (...), mas quando chegámos à agência disseram-nos que era o único dia da semana em que não havia barco. continua...
fotografia
Sophia e Agustina Bessa Luís.
Grécia, 1963
fotografia
Agustina Bessa Luís, na Grécia
15 Outubro 1963
Manuscrito
Página do diário de viagem
Manuscrito
Manuscrito «Quem embarca em Brindise»
Capa da obra 1962 Publica Contos Exemplares, o primeiro livro de contos 1963 Vai à Grécia com Agustina Bessa Luís e Alberto Luís 1963 Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores, atribuído a Livro Sexto. Capa da obra 1964 Publica as Antologias Poesia Sempre I e II Capa da obra 1964 Lançamento do livro O Cavaleiro da Dinamarca
LEGENDA Fotografias: Colecção Família de Sophia de Mello Breyner Andresen
Manuscritos: Espólio de Sophia de Mello Breyner Andresen
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