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200 ANOS DO ROMANCE DE AVENTURAS EM PORTUGAL Mosqueteiros - Desenho de Ana Maria  
A Exposição ROMANCE DE AVENTURAS ALEXANDRE DUMAS OUTROS AUTORES ESTRANGEIROS ROMANCE DE AVENTURAS EM PORTUGAL
O romance de aventuras em Portugal
um tema por estudar 1860-1920 CAPA E ESPADA E COMEMORATIVISMO 1950-1990  WESTERNS PORTUGUESES E REGRESSO AO HISTÓRICO
1860-1920 Capa e espada e comemorativismo

Este período é dominado pelas traduções. A época de ouro do mágico folhetim, usando a feliz expressão de Ernesto Rodrigues, em que pontificam os franceses, os espanhóis e timidamente emergem os ingleses, não vivesse o mundo sob a Pax Britannica.

As traduções de Verne, executadas por Borges de Avelar, Pinheiro Chagas, Henrique Lopes de Mendonça e Manuel de Macedo, conhecem um assinalável sucesso editorial; As Minas de Salomão, de Rider Haggard, ganham os favores do público graças a Eça de Queirós; renasce o interesse por Robinson Crusoé, de Deföe, que fora traduzido pela primeira vez para o português em 1816 por Henrique Mascarenhas, agora pela mão do incansável Pinheiro Chagas.

Estas iniciativas fazem-se acompanhar por um friso de outras novidades fasciculares que aguçam a curiosidade de um público entretanto desperto pelas grandes expedições científicas que antecipam a ocupação, de facto, e subsequente partilha do continente negro. Teófilo Braga dirige À Volta do Mundo 1 e Emídio de Oliveira o Jornal de Viagens 2 , publicações copiosamente ilustradas. A Europa colonialista, imperialista e industrial domina do planeta, mas em Portugal, que resistira a custo ao scramble for Africa, engolindo a humilhação do Ultimato, o imaginário das obras aqui escritas tem outros horizontes de inspiração. Volta-se para o passado distante e medieval 3 – na esteira de Herculano –, para o Grand Siècle 4 , sob influência da escola francesa da capa-e-espada, em reflexo português das lutas restauracionistas, ou revisita insistentemente as invasões francesas e os ódios fratricidas caseiros que se lhes seguiram: a guerra entre liberais e legitimistas, a Patuleia, as guerrilhas tradicionalistas 5 .

Na linha claramente dumasiana da série de obras que este realizou sobre a revolução de 1789, assiste-se a tentativas de abordagem do tema, com Carlos Pinto de Almeida (O Corsário Português) e Pinheiro Chagas (As Duas Flores de Sangue), ambas de 1875.

Ainda que tímidas e balbuciantes na escolha de outras coordenadas geográficas, históricas e temáticas, algumas obras deixam entrever opções que encontrarão sucesso nas décadas seguintes. Lembramos Arzila: romance do século XV, de Bernardino Pinheiro, sobre as lutas entre portugueses e marroquinos; Viriato, de Teófilo Braga, um retrato enérgico do caudilho lusitano; A Cruz pelas Riquezas, de Carlos Pinto de Almeida, que inicia um longo ciclo de obras consagradas aos Descobrimentos e, de Francisco Luís Gomes, Os Brâmanes, romance de amor, ciúme e vingança que decorre na Índia por alturas da revolta dos cipaios, em 1857. Por fim, destaque para Paulo, o Montanhês, de Arnaldo Gama, publicado em folhetins em 1853, contando as façanhas de um fora-da-lei na melhor linha de Goethe (Göz von Berlichingen), Dumas (Pascal Bruno) e Schiller (Os Ladrões).

Capa e espada / Henrique Lopes de Mendonça. – Lisboa : Portugal-Brasil, [D.L. 1922]
BN L. 19250 P.

Em finais da década de 1880, algo novo se vem acrescentar à panóplia de cenários. O frémito patriótico desencadeado pelas comemorações da chegada dos Portugueses à Índia, o nacionalismo republicano, a anglofobia e o surto historiográfico, agora popularizado por histórias de Portugal ao alcance de um público mais vasto – lembramos a História de Portugal, de António Enes, Manuel Pinheiro Chagas, Eduardo Vidal, Manuel de Macedo e Gervásio Lobato, publicada entre 1876 e 1880, bem como a de Oliveira Martins, saída em 1879 – passam a premiar temas relacionados com o desbravamento dos oceanos e o século das conquistas de Afonso de Albuquerque e D. João de Castro 6 .

Esta promissora onda de novidades pára subitamente, por volta da viragem do século. Dir-se-ia que o «romance histórico-aventuroso» se cansara e que nem mesmo as recentes aventuras africanas, de Serpa Pinto, Capelo, Ivens, Mouzinho e Roçadas sugeriam temas para entreter um público já suficientemente satisfeito pela entrada em cena de uma larga galeria de destemidos heróis galopando por pradarias, subindo aos píncaros das nuvens em aeróstatos ou percorrendo os interstícios da Terra.

A década de 1910 é dominada por Texas Jack, O Terror dos Índios. Uma infindável série de aventuras que deixa em suspense semanal miúdos e graúdos cansados pela necrologia da Grande Guerra, pelas batalhas na fila do racionamento e pelo terror da Gripe Espanhola. Mas se o folhetim de Texas Jack impera, tem rivais na Volta ao Mundo: o mais sensacional romance de aventuras de todos os tempos e de todos os paízes, de Henri de la Vaux e Arnaud Galopin, na Guerra dos Ares, de Wells, n’A Invasão Amarela – sombria antevisão de um futuro dominado pelos asiáticos, precedendo a moda Fu Manchu –, que esgotam edições, em seriados infindáveis, ao longo de anos.

um tema por estudar 1860-1920 CAPA E ESPADA E COMEMORATIVISMO 1950-1990  WESTERNS PORTUGUESES E REGRESSO AO HISTÓRICO
A Exposição ROMANCE DE AVENTURAS ALEXANDRE DUMAS OUTROS AUTORES ESTRANGEIROS ROMANCE DE AVENTURAS EM PORTUGAL