BIBLIOTECA NACIONAL
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200 ANOS DO ROMANCE DE AVENTURAS EM PORTUGAL Mosqueteiros - Desenho de Ana Maria  
A Exposição ROMANCE DE AVENTURAS ALEXANDRE DUMAS OUTROS AUTORES ESTRANGEIROS ROMANCE DE AVENTURAS EM PORTUGAL
O romance de aventuras em Portugal
um tema por estudar 1860-1920 CAPA E ESPADA E COMEMORATIVISMO 1950-1990  WESTERNS PORTUGUESES E REGRESSO AO HISTÓRICO
1950 - 1990  -  Westerns portugueses e regresso ao histórico
O capitão Morgan : romance de aventuras / Emilio Salgari ; versão do original italiano de Aurora Rodrigues (Dora). Lisboa : João Romano Torres, [193-]. (Salgari)
BN L. 31678 P.

O triunfo da cultura de massas americana, que sobreveio à guerra, não deixou de determinar o curso – já claudicante – da literatura de aventuras portuguesa. O cinema, e logo a TV, vão substituindo os tempos de lazer. As revistas de banda desenhada estabelecem uma nítida fronteira entre o mundo dos jovens e o mundo dos adultos.

O recurso às traduções assume claro ascendente sobre isoladas tentativas portuguesas em manter a produção de antes da guerra. Mantém-se, em plena actividade, o incansável Mário Domingues, agora emulado por Roussado Pinto, jornalista, editor, tradutor, homem de mil engenhos, que inventa o western português e dá cor às aventuras do Capitão Morgan, um pirata gentleman que aterroriza as esquadras espanholas e salda contas com todos os poderosos. De cara desvelada, Orlando Marques e Joaquim Ferreira Martins assinam um rol de aventuras no Oeste, com xerifes justiceiros, raides apache, amores de salvação e corridas ao ouro.

Num registo mais português, Luís Cajão, traça a aventura – bem real – da arriscada vida dos contrabandistas da raia, num tempo em que de Espanha vinham os caramelos e daqui seguia o café proibido pela autarcia económica do país vizinho. Dias de Melo risca um retrato da rija luta dos baleeiros dos Açores contra os perigos do oceano, e João Falcato retorna ao tema do naufrágio com A Baleeira, odisseia de 13 náufragos sedentos e famintos na imensidão do oceano. Por meados da década de 60 já pouco se oferece, para além dos persistentes e dos livrinhos de cowboys e índios, em edições cada vez mais encolhidas. Duas excepções sobressaem: As Aventuras de João sem Medo 1 , de José Gomes Ferreira, de que já falámos, e O Grande Cidadão, de Virgílio Martinho, uma inquietante aventura política que se desenrola numa sociedade concentracionária, puritana e uniformizada, dominada pela Milícia da Regeneração Moral e onde os condenados por impureza são imolados na câmara de gás.

Os romances de guerra, que voltaram a ser procurados ao longo dos anos sessenta e início da década seguinte – Sven Hassel, John Tolland – não constituiriam grande atractivo para leitores, num tempo em o país se encontrava envolvido num conflito em três frentes africanas. Mesmo assim, registo para Reis Ventura, que fez uma tentativa à Lartéguy para um aventura colectiva nas savanas de Angola: A 100.ª CCMDS.

Nos últimos anos do século XX reacendeu-se o interesse pela temática da aventura (muitas vezes ligado à viagem, à fuga) e do romance histórico, que aqui nos interessa, como já foi dito, quando se cruza com o tema da nossa exposição. São os casos, entre outros, de João Aguiar com A voz dos deuses (1984), Hélia Correia com A fenda erótica (1988) e Mário de Carvalho com Um deus passeando pela brisa da tarde (1994). Refira-se ainda Ana Teresa Pereira que, inesperadamente, “desenterrou” o tema do western com O vale dos malditos (2000), cuja acção decorre “numa cidadezinha do Arizona, coberta de poeira, chamada Grey Rock.

 

um tema por estudar 1860-1920 CAPA E ESPADA E COMEMORATIVISMO 1950-1990  WESTERNS PORTUGUESES E REGRESSO AO HISTÓRICO
A Exposição ROMANCE DE AVENTURAS ALEXANDRE DUMAS OUTROS AUTORES ESTRANGEIROS ROMANCE DE AVENTURAS EM PORTUGAL