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200 ANOS DO ROMANCE DE AVENTURAS EM PORTUGAL Mosqueteiros - Desenho de Ana Maria  
A Exposição ROMANCE DE AVENTURAS ALEXANDRE DUMAS OUTROS AUTORES ESTRANGEIROS ROMANCE DE AVENTURAS EM PORTUGAL
Estudos sobre a vida e a obra
Recepção do Romance de Aventuras por Claude Schopp Alexandre Dumas, a paixão é a aventura por fernando Guerreiro Alexandre o conquistador por Ernesto Rodrigues Duas notas sobre Alexandre Dumas em Portugal, por josé-Augusto França
Recepção do romance de aventuras, Eugène Delacroix leitor de Alexandre Dumas - por Claude Schopp Biógrafo de Alexandre Dumas
Relações Humanas  

O autor admira o seu leitor, proclama-o nas suas Memórias, nos seus diários, nas suas conferências, depois da morte do pintor 1. Possuiu quadros dele. O trecho seguinte, extraído de L’Art et les artistes contemporains au Salon de 1859, sintetiza o seu fanatismo:

«A tout seigneur tout honneur. Eugène Delacroix, a grande personalidade que, desde 1830, domina imperiosamente não apenas a sua escola, mas todas as escolas modernas [...] O génio de Delacroix não se discute, sente-se; quem procurar a proporção exacta das cabeças, o desenho matemático dos braços e das pernas, a observância rígida das leis da perspectiva, detestará Delacroix. Mas quem gosta da harmonia dos tons, da verdade do movimento, da originalidade da pose, da criação, enfim, de um objecto cheio de animação, cintilante de cores, com sentimento profundo, será decerto fanático de Delacroix.» 2

Em contrapartida, Delacroix «é sábio nas suas teorias, sóbrio no seu discurso, clássico mesmo: em literatura, gaba Fénelon; em poesia, Racine» 3.

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Como se lê a literatura de aventuras?
Relações Humanas
Situações de leitura
Atirar o livro pela janela
Réception du roman d'aventure
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Em consequência, quando a 26 de Abril de 1847, Jean-Baptiste Pierret lhe transmite que num encontro em casa do pintor Champmartin, Dumas «demonstrou as fraquezas de Racine, a nulidade de Boileau, a falta absoluta de melancolia nos escritores do suposto grande século», ele lança-se na apologia destes, acompanhada, naquele que é o patrono do romantismo na pintura, de uma violenta diatribe contra o romantismo literário: «Dumas não destoa nesta praça pública banal, neste vestíbulo do palácio onde tudo se passa nos nossos trágicos e em Molière. Querem uma arte sem convenções prévias. Essas supostas inverosimilhanças não chocavam ninguém. Mas o que choca muito é, nas suas obras, aquela mistura de uma verdade excessiva que as artes expulsam com os sentimentos, as personagens ou as situações mais falsas e exageradas. Porque é que não acham que uma gravura ou um desenho não representam nada, se lhes falta a cor? Se fossem escultores, pintavam as estátuas e punham-nas a andar sobre rodas pensando estar muito mais perto da verdade.»

A este diferendo artístico sobrepõe-se, embora A. Dumas por vezes o negue, um conflito ideológico entre republicano e conservador: «Pobre caro Delacroix, passámos a vida a ter a mesma opinião em arte, e a ser inimigos declarados em política.» 4

Mas estes desacordos não põem em causa a amizade que unia os dois artistas desde as batalhas românticas dos anos 1830:

«Delacroix e eu vemo-nos de dois em dois ou de três em três anos, mas isso não nos impede de gostarmos muito um do outro e de ficarmos muito felizes quando nos encontramos» escreve Alexandre Dumas 5.

O diário de Delacroix diz mais ou menos o mesmo, mas com muitas reticências. Assim, na sexta-feira 25 de Novembro de 1853, enquanto o terrível Dumas, que não larga a sua presa, veio importuná-lo à meia-noite, com o caderno de folhas brancas na mão, Delacroix, depois de ter afirmado: «Gosto muito dele», não se coíbe de expor tudo o que os opõe: «Não sou feito dos mesmos elementos e não prosseguimos os mesmos fins. O seu público não é o meu; um de nós é certamente muito louco»; a 2 de Maio de 1855, no fim de uma reunião em casa do insípido Païva, regista: «O bom do Dumas pensa estar ali em sociedade. Como só falam dele, que dá um excelente jantar todas as semanas e que traz a sua donzela 6, que até o consultam sobre os talentos do cozinheiro, e se devem conservá-lo ou mudá-lo [...]; ele boceja, dorme enquanto falam com ele», mas modera a sua severidade com um tom ligeiramente desprezivo: «Em suma, é um bom rapaz»; um pouco mais tarde, a 22 de Maio de 1855, Dumas pede-lhe para ficar a jantar com ele, a fim de tomar mais umas notas. «Agarrei aquela ocasião de passar alguns bons momentos», escreve Delacroix que, no fim do jantar, depois de Dumas lhe ter feito algumas confidências sobre a sua vida sentimental e erótica, exclama: «Homem feliz! Feliz indiferença! Merece morrer como os heróis, no campo de batalha, sem conhecer as angústias do fim, a pobreza sem remédio e o abandono.»

Não é pois vedado pensar que a afeição que os une, bem como o juízo sobre o homem, influenciem a leitura das suas obras.

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