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200 ANOS DO ROMANCE DE AVENTURAS EM PORTUGAL Mosqueteiros - Desenho de Ana Maria  
A Exposição ROMANCE DE AVENTURAS ALEXANDRE DUMAS OUTROS AUTORES ESTRANGEIROS ROMANCE DE AVENTURAS EM PORTUGAL
 
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Personagens, locais e acontecimentos


Buckingham

Georges Villiers (1592-1628), Duque de Buckingham, surge na obra de Dumas como amante da raínha Ana de Áustria. De facto, este nobre inglês, detestado na Inglaterra pela forma escandalosa como acumulou uma fortuna digna de um Cressos – lançando mão de dura tributação e vendendo privilégios – foi também particularmente odiado pelos católicos franceses, que nele viam uma presença inquietante e incómoda para a reputação da consorte real. Morreu assassinado, vítima do punhal de um fanático.

Castelo de If

Situado a dois quilómetros ao largo da cidade de Marselha, este rochedo de 300 metros serviu ao longo de séculos como refúgio para piratas e contrabandistas até que, no primeiro quartel do século XIV, por ordem de Francisco I, aí se erigiu uma fortaleza, considerada inexpugnável após as alterações introduzidas por Vaubin, arquitecto militar de Luís XIV. Transformada em prisão destinada às ordens sociais superiores da sociedade do Antigo Regime era, de facto, e ao contrário da dureza ficcionada por Dumas, um local relativamente aprazível, dada a liberdade de circulação que era garantida aos detidos. Contudo, a humidade extrema e a penumbra das celas provocavam razias entre os prisioneiros. Após a revolução, acolheu inúmeros prisioneiros monárquicos e, após 1848, republicanos e socialistas. Durante a 2ª Guerra Mundial foi posto de observação do exército alemão e hoje integra o património arquitectónico da França, acolhendo excursões turísticas.

Fronda

Movimento de contestação contra o crescente poder da coroa verificado em França durante a menoridade de Luís XIV. O movimento iniciou-se com o litígio entre a Ana de Áustria, regente acolitada por Mazarino, e o parlamento de Paris. A rainha teve de ceder às exigências deste, mas, logo no ano seguinte(1649), finda a Guerra dos Trinta Anos e regressados os exércitos reais, investiu contra os contestatários. Um arranjo satisfatório para ambos os litigantes foi ajustado em 1649. Em 1650, inicia-se a Fronda dos nobres. Mazarino é forçado a fugir da capital pelo novo líder da nobreza em rebelião, Luís de Bourbon, Príncipe de Condé. Porém, alcançando a vitória, os nobres entredevoram-se, facilitando o regresso do rei. Condé reúne um exército contra o soberano, mas Turenne, general das hostes reais, bate-o às portas de Paris. Terminava a última tentativa da nobreza em opor-se ao processo de centralização e ao nascimento do Estado moderno.

Ilha de Monte Cristo

Ilha mediterrânea situada perto de Elba – onde Napoleão Bonaparte esteve exilado de 1814 a 1815, antes dos 100 Dias – acolheu um mosteiro até ao século XVI. Segundo uma lenda local, os monges teriam aí escondido um tesouro fabuloso, jamais descoberto. Em 1822 foi adquirida por um inglês e, aquando da unificação, passou para as mãos da Itália. Hoje é uma reserva natural.

La Rochelle

Cidade francesa situada na costa oeste da França, foi fundada no século X e transformou-se no mais importante porto do Atlântico no renascimento. A reforma protestante converteu-a num baluarte do partido huguenote . Assediada em 1628 pelos exércitos do rei, rendeu-se após 18 meses de porfiada luta, sendo privada de todos os privilégios e isenções municipais. Voltou a reerguer-se como cidade vocacionada para o comércio marítimo de longa distância com o império ultramarino francês para, após a revolução cair num torpor de que só recobraria após a última guerra mundial.

Luís XIII (1601-1643)

Filho de Henrique IV e Maria de Médicis, foi coroado, ainda criança (1610), tendo a regência sido confiada à sua mãe. Em 1614 passou a exercer o poder, tendo procedido a uma purga entre os seguidores da raínha-mãe, entre os quais pontificava o italiano Concini, mestre de venalidade. O início do reinado foi perturbado pela resistência da alta nobreza e dos huguenotes. Graças a Armand du Plesis, cardeal Richelieu, homem de rara argúcia e talento político, consegue articular , no plano interno, uma política de centralização, com a sufocação das veleidades da nobreza e irradicação do protestantismo. Em 1628 manda atacar o bastião do protestantismo gaulês, La Rochelle, sem que tal iniciativa o iniba de desenvolver uma política de apoio aos príncipes alemães protestantes em guerra com a Espanha dos Áustrias e o Sacro Império de Fernando II de Habsburgo, paladinos do catolicismo. Em 1635, decide-se pela intervenção da França ao lado dos Protestantes na Guerra dos Trinta Anos (1618-48). O fim do reinado foi marcado pelos flagelos da fome e das jacqueries (revoltas camponesas) motivadas pela penúria causada pela guerra. Ao morrer, deixa no trono o seu filho Luís (Luís XIV), de quatro anos de idade.

Maria Antonieta (1755-1793)

Maria Antonieta de Lorena, filha do imperador Francisco I da Áustria e de Maria Teresa da Hungria e Boémia casou em 1770, por procuração, com o delfim Luís, futuro Luís XVI, num acordo destinado a reforçar os laços dinásticos entre a casa de Habsburgo e os Bourbon. Deu ao rei quatro filhos, mas sempre foi odiada pelos franceses, acusada das mais torpes insinuações e envolvida acidentalmente no célebre “caso do colar”. Os seus caluniadores atingiram extremos de vulgaridade fazendo crer ser a rainha uma meretriz, uma espia, uma delapidadora do erário do Estado – chamavam-na Madame le Déficit - ou mesmo acusando-a de incesto. Durante a revolução, as mesmas acusações voltaram a ser-lhe dirigidas. Afastada do marido, submetida a todos os vexames, Maria Antonieta morreu no patíbulo a 16 de Outubro de 1793. Prestes a ser guilhotinada, diz-se que terá pisado acidentalmente o seu carrasco. Voltando-se para este, terá dito: “senhor, peço-vos perdão. Não foi de propósito”.

Mosqueteiros da Guarda

Este corpo de elite era composto por duas companhias de cavalaria, a Cinzenta e a Negra, tendo por montadas, respectivamente, cavalos cinzentos e cavalos negros. Exímios jinetes, tinham por armamento individual o mosquete, a pistola e o florete. A Casa do Rei integrava outros corpos militares de elite: Granadeiros a Cavalo, Guarda Suiça, Guardas Franceses, Cavalaria Ligeira e Corpo de Guarda.
D’Artagnan existiu de facto. Foi capitão dos Mosqueteiros da Guarda, mas num tempo diferente do herói de Dumas. O verdadeiro D’Artagnan foi oficial da primeira companhia da guarda entre 1667 e 1673.

Richelieu (1585-1642)

Armand Jean du Plessis, Cardeal de Richelieu, é, sem dúvida uma das personalidades mais fascinantes, marcantes e decisivas da vida europeia do século XVII. A sua carreira pública teve início quando, em 1624, entrou para o Conselho do Rei Luís XIII e passou ipso facto a condicionar as políticas interna e externa do país estribando-se em três vectores: a destruição do partido protestante (Huguenotes), a submissão da nobreza e a guerra contra a todo-poderosa casa dos Habsburgos, que então dominava a Europa Central (Sacro Império), a Espanha e Portugal e respectivos impérios ultramarinos, a Flandres e parte apreciável da península italiana. Homem frio e cínico, como Dumas com justeza o retrata, Richelieu era, porém, um fiel esteio da coroa. A intervenção da França católica ao lado da liga protestante, a que Richelieu entregou todo o seu empenho e habilidade, selou a sorte da Guerra dos 30 Anos (1618-1648). Para debilitar e precipitar a estrela vacilante dos Habsburgos de Espanha, Richelieu não hesitou em alimentar, municiar e acicatar as veleidades independentistas da Catalunha (1635) e, mais tarde, em 1640, apoiar sem condições a luta restauracionista portuguesa.

Tulipas holandesas

A Holanda não é o “país das tulipas”. A introdução desta flor ornamental nos Países-Baixos só teve lugar em finais do século XVI, trazida da Turquia para a universidade de Leyden, onde gerou verdadeira moda entre botânicos. A introdução desta planta que requer solos ricos e húmidos despoletou uma concorrência tão dura entre produtores que o governo foi forçado a intervir para regular a especulação. Um bolbo de tulipa rara chegava a atingir 6000 Florins e a ser trocado por uma carroça aparelhada, por hectares de terras férteis ou por casas de habitação.

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