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200 ANOS DO ROMANCE DE AVENTURAS EM PORTUGAL Mosqueteiros - Desenho de Ana Maria  
A Exposição ROMANCE DE AVENTURAS ALEXANDRE DUMAS OUTROS AUTORES ESTRANGEIROS ROMANCE DE AVENTURAS EM PORTUGAL
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DEFOE VERNE TWAIN STEVENSON HAGGARD SALGARI REVERTE
Retrato de DANIEL DEFOE

DANIEL DEFOE  1660-1731 - "(..) Iniciador de uma infindável galeria de histórias de naufrágios, ambientadas ao século XVIII – robinsonadas que cativaram a atenção de um público sensibilizado para as tragédias marítimas numa época em que a Union Jack se desfraldava vitoriosa por todos os oceanos(..)"

Destinado ao sacerdócio presbiteriano, Daniel Foe – o aristocratizante prefixo De foi colado ao seu plebeu nome de origem para assinar violentos panfletos que o popularizaram e o levariam ao cárcere – viajou pela Europa ocidental como comerciante, antes de se consagrar ao periodismo político. O envolvimento na agitada vida pública nos anos que antecederam a Gloriosa Revolução de 1689 trouxe-lhe dissabores, primeiro como opositor dos detestados Stuart, depois como fervoroso partidário de Guilherme III de Orange, um rei estrangeiro tolerado mas não amado pelos ingleses. A braços com insolúveis problemas de sobrevivência e suspeitas, fundamentadas, de trabalhar como agente secreto da coroa, abraça aos 60 anos uma vida literária que o viria a eternizar. Em 1719 publica a Vida e Extraordinárias e Portentosas Aventuras de Robinson Crusoe de Iorque (Versão traduzida da lingua francesa por Henrique Leitão de Sousa Mascarenhas e Versão da Edição completa Inglesa, 1903), a que se seguiram Moll Flanders (1722) – a biografia aventurosa de uma meretriz londrina –, Diário do Ano da Peste (1722), Coronel Jack (1722), Roxana (1724), Histórias de Piratas (1724-28) e o Perfeito Comerciante Inglês (1725-27).

Iniciador de uma infindável galeria de histórias de naufrágios, ambientadas ao século XVIII – robinsonadas que cativaram a atenção de um público sensibilizado para as tragédias marítimas numa época em que a Union Jack se desfraldava vitoriosa por todos os oceanos – Deföe dá vida, na figura de William Selkirk, ao homem comum subitamente privado dos confortos da civilização, confinado a uma ilha selvagem e exposto a uma natureza pródiga como implacável, num exílio que se prolonga por 28 intermináveis anos de provações. A novela, com claro enquadramento na reflexão antropológica da segunda metade de Setecentos, transporta uma legibilidade que a mantém viva fora do quadro epocal em que foi produzida, facto comprovado pelas centenas de edições e pelo fascínio que tem exercido sobre inúmeros realizadores de cinema. Odesvalido Crusoe aporta à paradisíaca ilha sem agasalhos mas, ao contrário do bom selvagem de Rousseau, carrega o fardo de todas as crenças e instituições da longínqua pátria, incluindo a escravatura, que impõe ao ingénuo Sexta-Feira, sua única companhia de infortúnio. Entre tempestades súbitas, animais ferozes e canibais, Crusoe metaforiza a história da humanidade arrancada da natureza e condenada a uma luta sem quartel pela sobrevivência.

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