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200 ANOS DO ROMANCE DE AVENTURAS EM PORTUGAL Mosqueteiros - Desenho de Ana Maria  
A Exposição ROMANCE DE AVENTURAS ALEXANDRE DUMAS OUTROS AUTORES ESTRANGEIROS ROMANCE DE AVENTURAS EM PORTUGAL
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DEFOE VERNE TWAIN STEVENSON HAGGARD SALGARI REVERTE
Retrato de EMILIO SALGARI

EMILIO SALGARI  1863-1911 - (...) Os seus heróis são proscritos, fora-da-lei ou «bárbaros» perseguidos pela avidez de colonizadores «civilizados», denunciando o fundo libertário da visão salgariana de um mundo então eurocêntrico, racista e imperialista.(...)

O veronês Emilio Salgari foi, ao longo de um século, leitura iniciática e obrigatória para gerações de jovens ávidos de aventuras exóticas. Em Itália, a sua vasta obra foi mais lida que a de Dante – de estudo obrigatório nos liceus – e ainda hoje, quase um século após a sua morte, permanece como um dos 40 autores italianos mais traduzidos. Não sendo, decididamente, um grande autor – foi sempre ignorado pela crítica –, é um clássico sucessivamente reeditado ou transposto para o cinema. Fenómeno de longevidade, concitou recentemente o interesse de estudiosos das paraliteraturas.

Salgari aprendeu os rudimentos da arte de navegar num navio-escola de cabotagem do Adriático, passando a utilizar abusivamente o título de «capitão» ao longo da vida. A sua autobiografia, relato de supostas aventuras nos mares do Oriente, ter-lhe-ia inspirado a galeria de heróis destemidos que enchem os quase 90 romances de sua autoria e os 50 apócrifos publicados após a sua morte pelos seus filhos Omar e Nadir, bem como por Luigi Motta. É pacífico, porém, que Salgari jamais sulcou outros mares que os da sua febril imaginação e nunca conheceu outros piratas senão os sucessivos editores que o exploraram ao longo de uma vida de indizíveis privações e que o levariam a um suicídio digno da aura de exotismo que toda a vida cultivou: cometeu um arremedo de hara-kiri.

Os jornais estrangeiros, a literatura de viagens e enciclopédias inspiraram os enredos aventurosos dos quatro principais ciclos da produção (Piratas da Malásia; Corsários das Antilhas; Corsários das Bermudas; Far-West). Os seus heróis são proscritos, fora-da-lei ou «bárbaros» perseguidos pela avidez de colonizadores «civilizados», denunciando o fundo libertário da visão salgariana de um mundo então eurocêntrico, racista e imperialista. Sandokan, um príncipe malaio acolitado pelo português Yanez de Gomera (!), pelo audaz bengali Tremal-Naik e pelo jovem marata Kammamuri movem ao pérfido «rajá branco» de Sarawak, o famigerado James Brooke, uma guerra sem quartel; o Corsário Negro e o Capitão Morgan dedicam a sua vida à luta contra os ávidos colonizadores das Caraíbas, enquanto os corsários das Bermudas, ao serviço da causa independentista norte-americana, desbaratam sucessivas esquadras britânicas. A prolixa galeria de figuras e enredos de Salgari inscreve também, em tantos outros romances isolados, a temática canónica do género aventureiro: naufrágios, expedições a regiões inóspitas, quadros históricos, civilizações desaparecidas e mesmo uma incursão aos domínios da ficção protocientífica. Nas suas Maravilhas do ano 2000, a história termina em Lisboa, com os heróis da aventura enlouquecidos pela «saturação eléctrica» de um mundo dominado pelas máquinas.

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