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Beatus vir, a quatro voci / orig.le Marcos Antonio
Nell'ano di 1787

F.C.R. 168//89

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PORTUGAL, Marcos, 1762-1830
Beatus vir [Música manuscrita]: a quatro voci / Origle de Marcos Antonio. - 1787. - Partitura ([9] f.) ; 218x299 mm + 9 partes. - Salmo 111. - Partitura autógrafa. - Partitura com cadernos soltos : PTBN: F.C.R. 168//89. - Prov.: I.P.P.C., Fundo do Conde de Redondo, F.C.R. ms 168.89 : PTBN: F.C.R. 168//89
F.C.R. 168//89

Marcos Portugal nasce em Lisboa, em 1762 e aos nove anos é admitido no Seminário da Patriarcal de Lisboa tendo por mestre João de Sousa Carvalho. A sua primeira obra, um Miserere a 4 vozes e canto de órgão, data de 1776 e foi composta quando tinha apenas 14 anos. Em 1783 é admitido na Irmandade de Santa Cecília como "cantor e organista" da Patriarcal e, 2 anos mais tarde ocupa o cargo de "Mestre de Musica" do Teatro do Salitre. Parte para Nápoles em 1792, sob patrocínio real, para completar os seus estudos musicais tornando-se rapidamente activo como compositor dramático. Regressa a Lisboa em 1800 para ser nomeado mestre da capela real e maestro do Teatro de São Carlos, cargo que mantém intermitentemente até Janeiro de 1811, data em que parte ao serviço de D. João VI para o Rio de Janeiro, onde viria a falecer em 1830.

Compôs um grande corpo de música sacra mas foi através das suas composições dramáticas que se evidenciou e obteve projecção internacional. As suas obras encontram-se espalhadas por vários arquivos, portugueses e estrangeiros, e existem cópias de algumas que datam do início do século XX, o que indica que foram continuamente executadas até então. A BN possui cerca de 300 obras, destacando-se entre outras o Te Deum de 1817, composto no Rio de Janeiro para a aclamação de D. João VI. (M.M. 2503 - http://purl.pt/12123).

O Salmo 111, Beatus vir qui timet, foi composto para a Patriarcal de Lisboa, em 1787 quando Marcos Portugal contava 25 anos. Trata-se de um salmo de Vésperas, para quatro vozes e órgão (baixo cifrado) em stilo concertato, uma forma de composição muito utilizada para a música sacra durante todo o século XVIII, em que vozes e instrumentos são trabalhados de forma a criar texturas e estilos contrastantes entre frases e secções, alternando, por exemplo, partes a solo com tutti, andamentos lentos e rápidos, homofonia ou homorritmia com estilo imitativo, entre outras possibilidades. É o autógrafo mais antigo de Marcos Portugal que a Biblioteca Nacional possui. Aqui o autor assinava ainda "Marcos Antonio" tendo posteriormente adoptado os apelidos do padrinho de casamento de seus pais, José Correia da Fonseca Portugal. Não se sabe por que motivo adoptou estes apelidos, mas o nome "Portugal", ou na variante italiana "Portogallo" tornou-se num elemento que permitia também identificar a sua nacionalidade. A BN possui mais uma cópia das partes, no Fundo do Conservatório Nacional, e existem mais 2 cópias da partitura (na Biblioteca Geral de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, e no Arquivo da Fábrica da Sé Patriarcal) e 4 cópias das partes (no arquivo da Sé de Évora, em Faro no Seminário Episcopal de S. José do Algarve, no Arquivo da Fábrica da Sé Patriarcal, e na Biblioteca do Paço Ducal da Casa de Bragança em Vila Viçosa).

O manuscrito faz parte da colecção musical da Casa dos Marqueses de Borba, conhecida como Fundo do Conde de Redondo, que terá tido início ainda no século XVIII com Fernando de Sousa Coutinho, 2º Marquês de Borba e 14º Conde de Redondo, tendo sido largamente ampliada pelo seu filho José Luís Gonzaga de Sousa Coutinho, e por Fernando Luís de Sousa Coutinho, neto do primeiro. Como refere Ernesto Vieira, nesta família o "gosto pela musica constituia uma especie de hereditariedade", distinguindo-se, entre outros, D. Francisco de Sousa Coutinho, ou Chico Redondo como era conhecido, barítono de sucesso internacional. A colecção é constituída por cerca de 2600 espécies, essencialmente manuscritos musicais, muitos deles autógrafos, e contém obras de mais de 200 autores, na sua grande maioria portugueses. Adquirida em 1983 pelo Departamento de Musicologia do extinto IPPC, a colecção foi incorporada nos fundos de música da Biblioteca Nacional em 1992.

Sílvia Sequeira - Centro de Estudos Musicológicos

BIBLIOGRAFIA

Sadie, Stanley, ed. - The New Grove Dictionary of Music and Musicians. London: Macmillan, 2002

Vieira, Ernesto - Diccionario biographico de musicos portuguezes : historia e bibliographia da musica em Portugal. Lisboa: Typographia Mattos Moreira & Pinheiro, 1900

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