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DESEMBARQUE DA PRINCESA LEOPOLDINA CAROLINA JOSEFA NO RIO DE JANEIRO, EM 6 DE NOVEMBRO DE 1817 

“Desembarque de Sua Alteza Real a Archiduqueza D. Carolina Leopoldina [sic], Princeza Real do Reino Unido de Portugal, Brazil, e Algarves, no Rio de Janeiro em 5 [sic] de Novembro de 1817”

“Pintado por ....[sic] Debret, pensionario de S. M. F.ma e Socio da R. Ac. de Bellas Artes do Rio de Janeiro / Aberto por C. S. Pradier, pensionario de S. M. F.ma e Socio da R. Ac. de Bellas Artes do Rio de Janeiro”

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BN E. 54 R. Gravura a buril de Charles Simon Pradier (1783-1847), segundo pintura de Jean Baptiste Debret (1768-1848 ), provavelmente publicada depois de 1820 (imagem: 44x67cm; f.: 57x75 cm)

J. B. Debret e C. S. Pradier chegaram ao Rio de Janeiro em 1816, fazendo parte da Missão Artística Francesa, a qual fora sugerida a D. João VI pelo conde da Barca, António de Araújo de Azevedo, ministro da Marinha e Domínios Ultramarinos, dos Negócios Estrangeiros, e presidente do Real Erário, com vista à fundação, no Brasil, de uma escola de ciências, artes e ofícios. Esta Missão, chefiada por Joachim Lebreton e prevista para uma permanência de seis anos, era constituída por cerca de quarenta pessoas entre artistas, arquitectos, engenheiros, assistentes e artífices.

Debret contribuiu para o avanço do ensino artístico e para a criação da Academia de Belas Artes, fundada por D. João VI ainda nesse ano de 1816 (na verdade, esta escola superior chamou-se inicialmente Escola Real das Ciências, Artes e Ofícios, e só 1820, depois de várias vicissitudes, recebeu a sua definitiva denominação). Regressou a França em 1831, onde publicou, em 3 volumes profusamente ilustrados, Voyage pittoresque et historique au Brésil , Paris, Firmin-Didot, 1834-39, tendo deixado vasta obra no Brasil. Além da presente gravura, Debret produziu ainda uma outra, dedicada ao mesmo acontecimento, inteiramente de sua autoria segundo a respectiva subscrição, mas de menores dimensões e perspectivada a partir do mar, com o título Solemne desembarque de S. A. R. a S. D. Leopoldina Carolina Josefa .

C. S. Pradier, permaneceu no Rio de Janeiro apenas dois anos, tendo partido para Paris em 1818, de onde não mais regressaria, a pretexto de que no Brasil não existia papel adequado para a impressão da obra que aqui apresentamos, tendo sido a edição impressa em França.

A gravura executada por Pradier segundo pintura de Debret, representa o desembarque da Princesa Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, Leopoldina Carolina no Rio de Janeiro, a 6 de Novembro de 1817 (e não a 5 como refere a legenda), tendo acabado de descer da galeota real conduzida por cem remadores, pelo braço do príncipe D. Pedro. Esta foi originalmente editada com uma folha separada onde apareciam gravados a traço os bustos das personagens, acompanhados da respectiva identificação.

Vê-se na imagem, sob o pavilhão mandado erigir para o efeito, ao fundo, o rei a entrar para o coche, os noivos em primeiro plano, e na primeira fila, à direita, para além de D. Carlota Joaquina, o infante D. Miguel e as infantas D. Maria Teresa, D. Isabel Maria, D. Maria da Assunção e D. Ana de Jesus Maria, assim como outros altos dignitários.

O pavilhão erguido no Arsenal por oficiais de marinha, foi construído em madeira e compunha-se de um tecto sustentado por seis colunas ligadas por balaustradas. Todos os suportes e balaustradas estavam pintados de azul e branco e a parte superior de vermelho e amarelo; no tecto do pavilhão estavam pintadas as armas dos Reinos Unidos e dispunham-se as bandeiras de Portugal e da Áustria. À entrada e saída do pavilhão, cujo chão tinha sido ricamente atapetado, os arcos ostentavam as mesmas armas de onde pendiam festões de flores presos aos bicos de águias colocadas nos quatro ângulos do pavilhão.

A arquiduquesa Leopoldina Carolina Josefa - e não Carolina Leopoldina , como se lê na legenda -, filha do imperador Francisco I e de Maria Teresa de Áustria, casara por procuração a 13 de Maio de 1817, em Viena, com D. Pedro, herdeiro do trono de Portugal, filho do rei D. João VI e de D. Carlota Joaquina. Este casamento, unindo a Casa de Bragança e a Casa de Áustria, procurava contrabalançar a grande pressão exercida pela Grã-Bretanha sobre Portugal, afastando ainda do Príncipe herdeiro a influência dos Bourbon e da França. Por outro lado, os Habsburgo viam com bons olhos uma oportunidade de penetração na América do Sul.

D. Leopoldina Carolina, já então Imperatriz do Brasil, viria a falecer no Rio de Janeiro em 11 de Dezembro de 1826, com a idade de vinte e nove anos. Durante os nove anos do seu casamento, teve vários filhos, dos quais sobreviveram D. Maria da Glória, futura Rainha de Portugal, D. Januária, D. Francisca e D. Pedro, futuro 2º Imperador do Brasil.

 

 

BIBLIOGRAFIA

DEBRET, Jean Baptiste, 1768-1848
Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. São Paulo : São Paulo, Livraria Martins,1940

ESPARTEIRO, António Marques
Nau “D. João VI”. Lisboa, 1947.(Subsídios para a História da Marinha de Guerra, 9)
Sep. Anais do Club Militar Naval

OBERACKER JR. Carlos H.
A Imperatriz Leopoldina, sua vida e sua época: ensaio de uma biografia. [Rio de Janeiro] : Conselho Federal, 1973

SANTOS, Amilcar Salgado dos
A Imperatriz D. Leoplodina (mãe do Imperador D. Pedro II). São Paulo: Escolas Profissionais do Liceu Coração de Jesus, 1927

SIMPÓSIO COMEMORATIVO DO BICENTENÁRIO DE NASCIMENTO DA IMPERATRIZ D. LEOPOLDINA, RIO DE JANEIRO,1997
200 anos Imperatriz Leopoldina . Rio de Janeiro : Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 1997

SOARES, Ernesto
Dicionário de iconografia portuguesa. Lisboa : Instituto para a Alta Cultura, 1948

TAUNAY, Afonso d'Escragnolle, 1876-1958
A missão artística de 1816. Rio de Janeiro : Ministério da Educação e Cultura, 1956

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