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"Pedro
Nunes foi um grande matemático e, no século xvi
em que viveu, uma figura de notável projecção,
mesmo à escala internacional. O pensamento matemático deve-lhe muito e a cultura portuguesa - uma cultura que usualmente é identificada com uma dominante orientação humanística e literária - revê, no Pedro
Nunes que agora evocamos, um dos seus vultos mais destacados."
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Aquilo
a que algumas vezes tenho chamado
"cultura de biblioteca nacional"
constitui um domínio de actuação
nem sempre acautelado entre nós:
do que se trata, no quadro de uma
verdadeira "cultura de biblioteca
nacional", é de dar a
conhecer não apenas uma missão
patrimonial (a que compete à
Biblioteca Nacional), mas também
os meios e os instrumentos com que
pomos em evidência a relevância
dessa missão. E também
aqueles com que a tornamos patente,
junto de leitores e de investigadores.
A
exposição Pedro Nunes:
1502-1578 constitui um momento importante
da estratégia de afirmação
de uma cultura de biblioteca nacional.
Não se trata apenas (o que
já não seria pouco)
de celebrar uma efeméride:
o quinto centenário de Pedro
Nunes. Trata-se também, a pretexto
e sob o signo dessa celebração,
de lembrar a extraordinária
importância de um notável
homem de ciência, numa instituição
que fomenta e apoia o conhecimento
científico. Pedro Nunes foi
um grande matemático e, no
século XVI em que viveu, uma
figura de notável projecção,
mesmo à escala internacional.
O pensamento matemático deve-lhe
muito e a cultura portuguesa - uma
cultura que usualmente é identificada
com uma dominante orientação
humanística e literária
- revê, no Pedro Nunes que agora
evocamos, um dos seus vultos mais
destacados.
Não
é fácil, conforme assinala
na introdução deste
Catálogo o Prof. Henrique Leitão,
fazer chegar a um público alargado
a imagem e o significado da obra científica
de Pedro Nunes e do legado que deixou.
A complexidade dessa obra e a especificidade
do ramo do saber que ela ilustra são
certamente obstáculos que dificultam
uma tal difusão. Mas esta exposição
e as visitas que propiciará
serão, por certo, factores
de inestimável valia para melhor
conhecermos a obra de Pedro Nunes,
as fontes em que se apoiou e a herança
que deixou. Tudo isso e também
o exemplo de rigor, de capacidade
de inovação e de devoção
à ciência que Pedro Nunes
protagonizou.
Tal
como ultimamente temos feito na BN,
a exposição a que o
Catálogo se reporta não
se exaure no espaço físico
em que ela se exibe e em que pode
ser visitada. Para além dessa
localização, a exposição
sobre Pedro Nunes compreende também
esta versão electrónica;
assim se abre a um público
praticamente ilimitado e sem distâncias
nem fronteiras fixas a possibilidade
de acesso a informações
e a documentos que de outro modo teriam
uma circulação restrita.
Só quem ainda não percebeu
o alcance deste tipo de instrumentos
e de procedimentos pode duvidar da
sua eficácia; e só quem
pensa que a cultura e as suas práticas
são privilégio das elites
pode contestar essa eficácia.
Cabe-me,
por fim, registar o apreço
e o agradecimento tributados ao comissário
científico Prof. Henrique Leitão,
que à BN prestou competente
e empenhada colaboração.
Do mesmo modo, a Dr.ª Lígia
Martins, que assegurou o comissariado
técnico da exposição,
é credora de especial e grata
referência. À Fundação
para a Ciência e Tecnologia
é devido também o agradecimento
da BN, pelo apoio financeiro concedido
a esta iniciativa.
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CARLOS
REIS
Director da Biblioteca Nacional |
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