Maria Keil Ilustradora - NA BIBLIOTECA NACIONAL
MARIA KEIL OBRA AMIGOS DE MARIA SOBRE A EXPOSIÇÃO
Composição feita a partir de várias ilustrações de Maria Keil para o livro "Histórias da minha rua"
MARIA KEIL UM GRAFISMO DE AFECTOS

Começa uma Vida, de Irene Lisboa (sob o pseudónimo de João Falco), foi o primeiro livro que ilustrou. A narrativa vincadamente autobiográfica e desprovida de artifício, característica da escritora, foi por Maria Keil entendida numa via lírica logo expressa pelo desenho: na capa, o «retrato» de Irene Lisboa foi sinteticamente dado pela figuração bidimensional e modernamente estilizada de uma menina abraçada a uma boneca, sentada num cadeirão oitocentista desmesurado, toda a composição inserida numa orla rectangular recortada que lhe confere a dimensão gráfica de um selo. Passados mais de 60 anos, a ilustração mantém intocado todo o seu encanto.

Creio que a razão do encanto e intemporalidade das ilustrações e grafismos de Maria Keil se deve a uma notória rede de cumplicidades afectivas estabelecida com os seus autores («Se não for assim, não dá resultado», disse-me ela com desconcertante simplicidade).

Daí que tenha sido através da ilustração de livros para crianças que Maria Keil melhor se notabilizou neste domínio («tenho medo dos adultos»). O contacto com as pessoas da «Casa da Praia», obra de assistência para crianças problemáticas criada pelo Dr. João dos Santos, despertou a artista para este universo. Aí apareciam escritores para ilustrar, como Maria Cecília Correia, Matilde Rosa Araújo ou Maria Lúcia Namorado.

Histórias da Minha Rua (1953), de Maria Cecília Correia, foi o seu primeiro livro com ilustrações exclusivamente pensadas e sentidas para crianças. O recorte das figuras, a simplicidade dos motivos, a ausência de claro-escuro, os fundos neutros e a estilização graciosa e directa, característicos da linguagem gráfica de Maria Keil, aí se revelaram com pujança.

Para um observador muito exigente, talvez o figurino de um automóvel ou o traje de algumas figuras permitam datar as ilustrações. Nada pior para Maria Keil, que entende que «não há nada mais difícil que fazer os desenhos para ilustrar os textos», na medida em que se trata de um «trabalho difícil e perigoso» pois «se não é muito bom, fica datado».





Álbum de desenhos originais de Maria Keil
 
2004 BIBLIOTECA NACIONAL: TODOS OS DIREITOS RESERVADOSCRÉDITOS