Maria Keil Ilustradora - NA BIBLIOTECA NACIONAL
MARIA KEIL OBRA AMIGOS DE MARIA SOBRE A EXPOSIÇÃO
Composição feita a partir de várias ilustrações de Maria Keil para o livro "A Noite de Natal"
MARIA KEIL UM GRAFISMO DE AFECTOS

Esta vontade de rigor, esta auto-exigência de qualidade, foi pela autora globalmente cumprida no livro seguinte de Maria Cecília Correia, Histórias de Pretos e de Brancos (1960), excelente exercício gráfico, de grande agilidade de traço, inventividade de mancha colorida e qualidade de estilização. Doravante, a linguagem das ilustrações de Maria Keil amadureceu, tornou-se verdadeiramente inconfundível e, efectivamente, muito difícil de datar. Assim sucede com o grafismo e ilustrações de A Rainha da Babilónia (1962), de Esther de Lemos e, sobretudo, com O Livro de Marianinha (1967), de Aquilino Ribeiro, obra que lhe deu um imenso prazer a ilustrar e na qual a artista experimentou diferentes técnicas e materiais que possibilitaram transparências inusitadas – mas, infelizmente, os desenhos originais perderam-se.

Em O Cantar da Tila (1967), de Matilde Rosa Araújo, o traço de Maria Keil alonga-se em arabesco contínuo e gracioso, envolve as delicadas figuras de adolescentes e, creio, a perfeita sintonia entre o texto e a ilustração fazem deste um dos mais belos livros até hoje publicados em Portugal.

Foi felicíssima a aliança Matilde Rosa Araújo / Maria Keil: pessoalmente, cresci com estes livros inconfundíveis, com estes poemas e estes desenhos belíssimos, e é sincera a minha gratidão para com as autoras.

Efectivamente, os desenhos de crianças e adolescentes de Maria Keil possuem uma qualidade autoral específica: desde A Noite de Natal (1959) de Sophia de Mello Breyner Andresen aos livros de Matilde Rosa Araújo publicados nos anos 70 e 80 (As Botas de meu Pai, 1977; O Cavaleiro Sem Espada, 1979; Joana-Ana, 1981; O Gato Dourado, 3.ª edição, 1985), são perfeitamente reconhecíveis e identificáveis aquelas figurinhas sensivelmente estilizadas e inseridas em reservas de pendor geometrizante que, por vezes, a cor realça.

Para além de tudo isto, a própria Maria Keil escreveu e ilustrou os seus próprios livros para crianças (e adultos). A sua característica agilidade gráfica manifestou-se, então, nas ilustrações do encantador O Pau-de-Fileira (1977), com seus sensíveis desenhos de gatos. Em Os Presentes (1979), a artista recorreu à colagem de motivos recortados de inúmeras revistas, num trabalho aturado e minucioso, prodigiosamente apelativo, para o qual concorreu efectivamente a cumplicidade do editor, Dr. Rogério de Moura.


Ilustração retirada do livro "A Noite de Natal"
 
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