Maria Keil Ilustradora - NA BIBLIOTECA NACIONAL
MARIA KEIL OBRA AMIGOS DE MARIA SOBRE A EXPOSIÇÃO
Composição feita a partir de várias ilustrações de Maria Keil para o livro "As três Maçãs"
MARIA KEIL UM GRAFISMO DE AFECTOS

A colagem reapareceu novamente em As Três Maçãs (1988), cujas inconfundíveis figuras de crianças surgem ainda mais estilizadas, na medida em que a artista revelou preocupações pedagógicas inéditas («Queria fazer livros úteis às escolas!»): cabeças, pernas, braços e mãos, e elementos do traje também, são fornecidos em folhas à parte e sus-ceptíveis de recorte e montagem, criando situações gráficas novas e infindáveis a cargo das próprias crianças-leitoras.

Cumplicidade afectiva, exigência de qualidade e rigor e, evidentemente, real talento ilustrativo e gráfico são as chaves do encanto destas obras de Maria Keil. Não restam dúvidas de que os adultos são igualmente sensíveis a estes livros: qual deles (a começar por mim) resistirá às ilustrações incrivelmente apelativas e actuais d’A Banhoca da Baleia (1988) de Alexandre Honrado?

A maior parte delas, fê-las Maria a pensar nas crianças.

Contudo, o seu último livro foi escrito e ilustrado a pensar nos adultos: Anjos do Mal: Demos – Demónios – Diabos, etc. (2002), poderia ser lido e apreciado por qualquer criança, mas a autora considera-o «uma história moralizante para adultos» que, efectivamente, é.

Desenhadas sobre o suporte transparente das janelas plastificadas dos envelopes de correio, as suas simpáticas figuras de diabos aliam o inédito da técnica a um grafismo de linha prodigiosamente densa e expressiva e, como sempre, incrivelmente apelativa – porque, afinal, o amor foi o seu motor constante.


Rui Afonso Santos





Desenhos originais de Maria Keil para o livro "A Banhoca da Baleia"
 
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