Maria Keil Ilustradora - NA BIBLIOTECA NACIONAL
MARIA KEIL OBRA AMIGOS DE MARIA SOBRE A EXPOSIÇÃO
Imagem produzida apartir de um auto retrato de Maria Keil e cartazes publicitários para «a pompadour»
MARIA KEIL UM GRAFISMO DE AFECTOS

Quando alguém fizer a história global do grafismo e da ilustração portugueses, a obra de Maria Keil emergirá, como uma referência indiscutível.

Pintora, desenhadora, ilustradora, decoradora de interiores, designer gráfica e de mobiliário, ceramista, cenógrafa e figurinista, autora de cartões para tapeçaria e, sobretudo, para composições azulejares (as melhores, aliás, do nosso século xx), Maria Keil firmou-se, há muito, como uma das referências obrigatórias da criação plástica portuguesa.

Artista inserível numa «segunda geração» da nossa arte moderna, para adoptar a termino-cronologia referencialmente proposta por José-Augusto França 1, Maria Keil adoptou um figurino figurativo, geracionalmente comum, embora de pendor expressivo pessoal e graciosamente estilizado.

Não admira, portanto, que cedo a ilustração e o grafismo a tenham atraído, e foram as artes da decoração e publicidade as espoletadoras de tal interesse.

Casada com o arquitecto Francisco Keil do Amaral, autor do notável Pavilhão português apresentado na Exposição Internacional de Paris, de 1937, Maria esteve presente na montagem e decoração da estrutura efémera. A decoração do Pavilhão constituiu, aliás, uma das mais notáveis realizações plásticas da década, internacionalmente reconhecida, e esteve a cargo de uma equipa constituída pelo suíço Fred Kradolfer, que a liderou, e pelos pintores Bernardo Marques, José Rocha, Carlos Botelho, Tom, Emmerico Nunes e Paulo Ferreira 2.

O convívio com estas personalidades orientou o percurso modernista de Maria Keil que, tal como os seus colegas de geração, praticou a publicidade para o estúdio etp (Estúdio Técnico de Publicidade), fundado por José Rocha em 1936 – e os anúncios que através da celebrada agência Maria desenhou para a espartilharia «A Pompadour» ficaram como obras referenciais do género nos anos 40.

Chegado a Portugal em 1927, Kradolfer foi o verdadeiro mestre e mentor das artes da decoração e da publicidade para a «segunda geração» de artistas modernistas. Maria Keil reconhece o seu papel decisivo na matéria e, a par dele, das revistas estrangeiras que consultava, particularmente francesas, através das quais conheceu o trabalho do icónico Cassandre (particularmente o célebre anúncio Dubonnet), que muito admirou.

a pompadour cartaz publicitário da autoria de Maria keil
 
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