BIBLIOTECA NACIONAL NATIONAL LIBRARY OF PORTUGAL
OS PORTUGUESES E O ORIENTE (1840-1940)
Thai
Sobre a exposição About the exhibition
Sião China Japão
* O diálogo falhado
*
* Kangxi, o Grande
* China amada, China Desprezada
* O Início das agressões europeias
* Narcotização da China pelos Britânicos
* A Mais suja das Guerras
* Semi-descolonização europeia
* A tragédia dos Culis
* O fracasso das reformas
* A China Moribunda
*
O último imperador
*  Os senhores da Guerra
*  A Guerra com o Japão
* A nova China
*  Biografias e Bibliografia

Semi-colonização europeia

Franceses, britânicos, russos, alemães, japoneses e até italianos e austro-hungaros, participaram em "exposições punitivas" contra o Celeste Império

Esmagada e humilhada, obrigada a pagar reparações, a China apressou-se a assinar um infindável número de tratados desiguais, abrindo as portas a britânicos e franceses – que entretanto se haviam associado à pilhagem -, aceitando um rol de limitações à soberania a japoneses, russos, alemães, britânicos, franceses, e até a italianos e espanhóis que se lhes juntariam posteriormente. É deste período que retemos os testemunhos de Carlos José Caldeira, Gregório José Ribeiro e Artur Lobo de Ávila, que são unânimes no reconhecimento do estertor do Celeste Império.

O mandato do Céu parecia haver sido retirado aos Qing. O império fazia agora frente a mais desafios. A verdadeira invasão de produtos e ideias ocidentais acentuava a vulnerabilidade de um país já exangue. A liberdade de pregação cristã concedida sob ameaça das armas resultara na fixação de grupos evangélicos norte-americanos e no surgimento de um cristianismo difuso como sincrético, de tonalidades messiânicas, entre o campesinato pauperizado. O terceiro grande abalo da dinastia, depois da guerra e do ópio, deu-se na década de 1850. A rebelião dos Taiping, liderada por Hong Xiuqan, um converso cristão que se dizia igual a Cristo e profeta de uma nova era, destruiu a riqueza agrícola do fértil delta do Iansequião, provocou dezoito milhões de vítimas e abriu passo à manifestação de um fenómeno que seria determinante para o futuro desmembramento da autoridade central do Estado: a criação de exércitos particulares de base regional. Nesta crudelíssima guerra civil, os ocidentais, causadores remotos da tragédia chinesa, tomaram partido pelos Qing, destruindo perante os chineses qualquer autoridade moral à dinastia, que sendo de origem Manchú ou jurchen, a predispunha a constante atrito com a maioria étnica do país (han). É deste período de terror e morticínios que nasceu, entre nós, a imagem de uma China insolvente, moribunda e patética, bem clara no jornalismo de curiosidades geográficas, nos relatos de Adolfo Loureiro e na ficção de Eça de Queirós, que no Mandarim resolve um problema de escrúpulos de um português tentado pelo demónio com a invocação da irrelevância estatística da morte de um obscuro mandarim. Longe dos olhos, longe do coração !

 
 
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