BIBLIOTECA NACIONAL NATIONAL LIBRARY OF PORTUGAL
OS PORTUGUESES E O ORIENTE (1840-1940)
Thai
Sobre a exposição About the exhibition
Sião China Japão
* O diálogo falhado
*
* Kangxi, o Grande
* China amada, China Desprezada
* O Início das agressões europeias
* Narcotização da China pelos Britânicos
* A Mais suja das Guerras
* Semi-descolonização europeia
* A tragédia dos Culis
* O fracasso das reformas
* A China Moribunda
*
O último imperador
*  Os senhores da Guerra
*  A Guerra com o Japão
* A nova China
*  Biografias e Bibliografia

O fracasso das reformas

Conciliar a tradição com a ocidentalização, uma verdadeira quadratura do círculo.

A dura prova de sobrevivência por que passara o império exigiu à dinastia a reconversão do aparelho estatal e a aceitação das regras de convivência (forçada) que as potências lhe impunham. Com a formação de um Ministério dos Negócios Estrangeiros (Tsoung-li Yamen), o império abolia a tradicional fórmula que impunha às relações com o exterior, baseada na superioridade chinesa, que apenas reconhecia embaixadas estrangeiras tributárias e vassalas, aceitando, doravante, a fixação de embaixadores no seu solo. Para a reforma administrativa, tributária, militar, educativa e obras públicas do Estado, requisitaram os Qing os serviços de milhares de técnicos estrangeiros, procurando adaptar-se às condições tecnológicas dos ocidentais. Para os EUA e Europa, mas sobretudo para o Japão, seguiram outros milhares de jovens chineses que, regressados de mundos diferentes, viriam a ser os mais radicais contestatários da ordem estabelecida e o esteio dos grandes movimentos políticos que estremeceriam a China ao longo do século XX.

As reformas, iniciadas sob Tongzhi (r. 1862-1872), pretendiam seguir as pisadas do Japão. Foram, porém, desde cedo contidas por uma personalidade a quem a história atribui a responsabilidade maior pelos desastres que precipitariam o fim dos Manchú. Governando por detrás da cortina, a imperatriz Cixi, concubina preferida do falecido imperador Xianfeng (r. 1851-1862), mãe de Tongzhi e tia de Guangxu (r. 1875-1908) regeu durante meio século toda a vida chinesa. A sua astúcia, os seus erros de cálculo e conservantismo extremo foram causas imediatas de novas intervenções militares europeias, da guerra sino-japonesa de 1895 pela posse da Coreia e da revolta tradicionalista dos bóxers em 1900. O poder que detinha foi notado pelo Conde de Arnoso, que integrou a embaixada portuguesa enviada a Pequim, e por Calado Crespo , nosso Cônsul em Cantão entre 1895 e 1900. Acicatadora de um imprevidente levantamento anti-europeu, assistiu de Jehol (Chengde) à humilhação maior de ver os interditos aposentos imperiais da Cidade Proibida invadidos por ocidentais. Pierre Loti, esse enfeitiçado pelo exotismo dito orientalista, fez desse desfecho trágico uma impressionante descrição de crepúsculo de civilização.

 
 
Créditos do site