BIBLIOTECA NACIONAL NATIONAL LIBRARY OF PORTUGAL
OS PORTUGUESES E O ORIENTE (1840-1940)
Thai
Sobre a exposição About the exhibition
Sião China Japão
 
* Abertura e Isolacionismo
* O trauma da Missionação católica
* A sociedade Tokugawa
* Restauração Meiji
* A Via do Ocidente
* Japão Imperialista
* Militarismo e Expansionismo
* A Segunda Guerra Mundial
* Biografias e bibliografia

A via do Ocidente

De 1860 aos anos 30 do século XX, o Japão converteu-se numa nação fortemente ocidentalizada.

Coube a Pedro Gastão Mesnier lavrar testemunho das profundas alterações em curso no país. Integrando a embaixada do Visconde de S. Januário, pode aperceber-se do triunfo do xintoísmo e do culto rendido ao imperador - cuja linhagem divina ascenderia até Amaterasu, deusa do Sol - mas também do colapso dos samurais e ascensão dos grandes barões monopolistas do comércio e da indústria zaibatsu. O Japão seguia velozmente a via ocidental e era já considerado, em meados de 1880, um aluno exemplar, havendo quem o brindasse como “a Inglaterra da Ásia”, que décadas depois Haushoffer – o mago da geopolítica – corrigiria para a de “Prússia do Oriente”.

Já a Polidoro Francisco da Silva, que esteve no Japão em 1894, a Gonçalves Pereira e José Augusto Correia parecia interessar mais esse outro Japão que Madame Chrysanthème (Pierre Loti) e Madame Butterfly (Puccini) haviam popularizado: o dos verdejantes prados, dos templos e bosques sagrados e das belas japonezinhas ! A mulher japonesa muitos corações parece ter destroçado entre os marujos e oficiais que a Yokohama chegavam. Servidora, dócil e delicada como uma porcelana, uma sombra do homem, fazia as delícias – e a perdição, como Venceslau de Morais aprenderia – de europeus habituados ao convívio com as pudibundas e gélidas damas burguesas saídas da forma victoriana. Numa sociedade que fora matriarcal, os Tokugawa haviam realizado uma quase obra de engenharia do género feminino, fazendo da mulher um belo adereço, tão delicado como um bonsai. Este Japão de bonecas animadas, vincado “exotismo” e apego a tradições imemoriais que se conjugavam com o ritmo crescente da industrialização era olhado com admiração pelos ocidentais.

 
 
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