 |
| O "Vento Divino" (Kamikaze) não conseguiu travar a derrota. |
|
A invasão da Manchúria (1931) e da China (1937), abria antecipadamente as portas ao conflito mundial que assolaria o mundo entre 1939 e 45.
Carlos Abreu, Guerra Maio e César Pires dos Santos ainda militavam num japonismo feito de geishas, flores de cerejeira e pescadoras de pérolas, mas Vasco da Gama Fernandes, mais prosaico, reunia provas estatísticas da proximidade de uma hecatombe. A adesão do Japão ao Pacto Anti-Komintern e a criação do Eixo Berlim-Roma-Tóquio empurrava o país para uma aventura sem regresso. Em 1940, aproveitando-se do colapso francês, o Exército Imperial ocupou a Indochina Francesa. Os EUA reagiram e iniciaram um boicote às importações japonesas, cortando os fornecimentos de petróleo ao Japão, vital para a armada e forças armadas que se debatiam com uma penúria crónica de combustíveis.
Quando a frota americana no Havai foi neutralizada pelas esquadrilhas de Yamamoto, em 7 de Dezembro de 1941, o exército imperial lançou-se à conquista das Filipinas, da Malaia e Singapura, das Índias Orientais Holandesas, de Burma e da Nova Guiné, apenas parando às portas da Austrália. Numa curta campanha de seis meses, o colonialismo europeu era erradicado da Ásia. Se a Esfera de Coprosperidade da Ásia falhou – uma adaptação da Nova Ordem Europeia de Hitler à realidade asiática – depois de quatro anos de batalhas, o mundo saído do grande conflito não mais seria o mesmo.
Em Portugal, o japonismo deu lugar a um quase diabolização. Após a invasão e ocupação de Timor Português pelos japoneses, que aí cometeram indizíveis atrocidades, os nipónicos passaram a ser retratados seguindo o estereótipo da propaganda americana: cruéis homenzinhos amarelos de palmo e meio – quando não “macacos amarelos” - , óculos de aros redondos fundo-de-garrafa, dentes proeminentes e instintos predadores, imagens recorrentes nas fitas americanas e na banda desenhada que os jovens consumiriam ao longo das décadas subsequentes. Dez anos após a capitulação incondicional, o Japão era, de novo, um dos principais pólos do poder mundial e, entre nós, Martins Janeira abria um novo ciclo do japonismo português. |