BIBLIOTECA NACIONAL NATIONAL LIBRARY OF PORTUGAL
OS PORTUGUESES E O ORIENTE (1840-1940)
Thai
Sobre a exposição About the exhibition
Sião China Japão
* A Chegada dos Portugueses
* Intrigas europeias
* Desastre e resistência ao invasor birmanês
* Banguecoque, a nova Capital
* The King and I
* Rama V e o Sião contemporâneo
* O Sião constitucional
* Biografias e Bibliografias

Intrigas europeias

Palácio Sanphet Prasat, Ayuthaia

 Ayuthaia chegou a ser atacada e dominada pelos birmaneses em 1569, mas em finais do século, sob a direcção de um aguerrido general thai – mais tarde rei Naresuan – o reino libertou-se do jugo invasor e era, de novo, o mais disciplinado, centralizado e eficaz Estado do sudeste-asiático, dotado de rígida administração colectora de impostos e de um temível exército, famoso pelo engenho com que manobrava imensas manadas de elefantes aparelhados para a guerra.

Uma numerosa comunidade de portugueses vivia por essa altura na capital. Alguns serviam no palácio ou ocupavam postos de grande relevo no exército; muitos outros, eram arcabuzeiros que desempenhavam missões decisivas nas batalhas fronteiriças que mantinham os inimigos à distância. Havia ainda sacerdotes que mantinham a missão de S. Paulo, no coração de Ayuthaia, servindo a comunidade luso-siamesa que iam engrossando graças à proverbial tendência dos portugueses em assentar vida em paragens longínquas.

Desejosos de cair nas boas graças dos soberanos siameses, ingleses, franceses, holandeses e portugueses entreteceram ao longo de século e meio todas as artes da diplomacia, da intriga e jogos de sedução visando obter o exclusivo do trato com o Sião, mas todas as tentativas esbarraram com a obstinada intransigência thai em negociar para além das mercadorias. O clímax do assédio das potências mercantilistas europeias deu-se em finais do século XVII, em resultado da competição anglo-francesa. Luís XIV procurou, com alguma imperícia, instalar no Sião um corpo expedicionário que tornasse possível a actividade missionária. O rei Narai tinha por valido um grego de nome Constantine Phaukon (Falcon, ou Falcão ?), casado com a luso-nipónica Maria de Guiomar. O “grego” – que falava um português correcto ! – parece ter induzido o soberano a aceitar a peregrina ideia da ingerência francesa. A aventura terminou, como seria de esperar, em desastre. O “grego” foi morto e o rei falecia misteriosamente alguns meses depois, presumivelmente envenenado.

 
 
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