BIBLIOTECA NACIONAL NATIONAL LIBRARY OF PORTUGAL
OS PORTUGUESES E O ORIENTE (1840-1940)
Thai
Sobre a exposição About the exhibition
Sião China Japão
* A Chegada dos Portugueses
* Intrigas europeias
* Desastre e resistência ao invasor birmanês
* Banguecoque, a nova Capital
* The King and I
* Rama V e o Sião contemporâneo
* O Sião constitucional
* Biografias e Bibliografias

Rama V e o Sião contemporâneo

Rama V
CHULALONGKORN [Rama V] 1853-1910

O país teve a ventura de ver ascender ao trono, em 1868, um monarca que se revelaria um dos maiores estadistas asiáticos do século XIX. Educado à europeia, falando um inglês literário, homem de inteligência superior e fino tacto diplomático, Chulalongkorn (Rama V) furtaria o seu povo às arremetidas do colonialismo promovendo uma imagem “ocidental” do Sião mercê da abolição da escravatura e da servidão, edificando uma administração moderna, obras públicas de vulto, apetrechamento do exército à europeia e lançando as bases para a criação de um sistema de ensino que nas décadas seguintes permitiu ao Sião dotar-se de quadros técnicos de nível superior. Enviou para a Europa centenas de filhos da nobreza local e contratou um contingente de conselheiros ocidentais que o ajudaram na árdua tarefa de mudar a face de um país agrícola e feudal numa monarquia reconhecida como igual pelas potências mundiais. O seu reinado foi tão impressivo e decisivo que, ainda hoje, a sua efígie se impõe, como objecto de reverência, em todos os lares tailandeses. Rama V não conquistou apenas o respeito dos seus súbditos. A sua luta contra a servidão conquistou para a causa da preservação da independência do Sião um assinalável número de inteligências europeias. Não é pois de estranhar que, quando em 1893, emulando os britânicos – useiros da “política de canhoneira” – os franceses impuseram ao Sião um Ultimato exigindo a cedência de vastos territórios, hoje pertencentes ao Camboja, muitos fossem os que tomassem partido pelos direitos siameses.

Rama V decidiu-se, por fim, iniciar um longo périplo pela Europa, marcando com a sua presença – e explorando as rivalidades entre europeus – a soberania siamesa. A viagem que encetou em 1897 levou-o à Rússia, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Áustria-Hungria, Holanda, Itália, França, Grã-Bretanha, Espanha e Portugal. Chegou a Lisboa em Outubro desse ano, acontecimento marcado por faustosos actos oficiais. A obra que deixou garantiu a sobrevivência do Sião e o surgimento de uma consciência nacional solidamente ancorada na tradição monárquica e budista, dois esteios da unidade do país. Não deixa de ser importante o facto deste “nacionalismo” – inicialmente étnico e circunscrito aos thai – se haver imposto lentamente à diversidade do Sião e ter conseguido anular, incorporando-as, as restantes minorias: chineses, malaios muçulmanos, aborígenes e “tribos da montanha”, estes vivendo ao longo das fronteiras que separam o país do Laos e da Birmânia.

 
 
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