BIBLIOTECA NACIONAL NATIONAL LIBRARY OF PORTUGAL
OS PORTUGUESES E O ORIENTE (1840-1940)
Thai
Sobre a exposição About the exhibition
Sião China Japão
Apresentação
Wencselau de Moraes
A Ásia, essa desconhecida
Do Oriente Português
Portugal e o Oriente
Catálogo da Exposição

Apresentação - Diogo Pires Aurélio, Director da Biblioteca Nacional

Diogo Pires AurélioA presente exposição é dedicada à presença portuguesa no Sião, na China e no Japão, entre meados do século XIX e meados do século XX, e destina-se a assinalar os 150 anos do nascimento de Venceslau de Morais.

Símbolo por excelência de um certo orientalismo que perpassou pela literatura europeia oitocentista e começou a fazer-se sentir em Portugal, já tarde, com a Geração de 70, Venceslau incarnou, entre nós, o mito do aventureiro que se deixa seduzir a tal ponto pela diferença e o exotismo, que acaba por aderir de corpo e alma àquilo com que depara nas suas viagens. Houve, logo no início da expansão, ou mesmo antes, casos parecidos, de gente convertida a outros costumes e a outras crenças, fosse o Islão, logo ali do outro lado do Mediterrâneo, fossem as civilizações e culturas a que, do Ganges em diante, os navios aportaram. Mas Venceslau já pertence a uma geração que viaja quando, como diz Bocage, «por terra jaz o empório do Oriente». A sua forma de estar e de escrever, se bem que dilacerada ainda por um vaivém de sentimentos entre o exílio voluntário e as lembranças da pátria, já não é a de quem pretende conquistar e possuir, ou mesmo evangelizar, mas a de quem, pelo contrário, se deixa possuir pela intensidade das novas sensações que o invadem. Fernão Mendes Pinto antecipou, pela distância que mantém perante a estranheza do que observa, a curiosidade do botânico ou do etnólogo, que se limitam a catalogar o desconhecido. Venceslau de Morais, como Camilo Pessanha e alguns outros que, em finais de oitocentos e princípios do século XX, andaram por terras do sol nascente, procuram no desconhecido a confirmação do que o romantismo europeu imaginava acerca dele, deixando que a cultura e a escrita se lhes embebessem do exótico e se extremassem no gosto simbolista pelas palavras raras e a singularidade do nunca visto.

Fazer o reconhecimento dessa literatura, que pertence a um período em que o império asiático, tendo já deixado de o ser politicamente, começa todavia a insinuar-se como uma cultura, a qual é feita de nostalgia do passado mas é também um cruzar de experiências voltado para o futuro, constitui decerto a melhor forma de homenagear Venceslau de Morais, uma das suas figuras mais representativas. Oxalá esta exposição, agora realizada pela Biblioteca Nacional, contribua para que essa realidade cultural, resultante do encontro entre os portugueses e o Oriente, sirva de facto como plataforma de conhecimento e diálogo com os Estados que representam hoje os povos que tanto maravilharam sucessivas gerações de portugueses e em que alguns, como Venceslau de Morais, acabaram por se integrar.


Horário de visita à Exposição:

Dias úteis: 10h - 19h
Sábados: 10h-17h
Encerra domingos e feriados


 
 
Créditos do site