BIBLIOTECA NACIONAL NATIONAL LIBRARY OF PORTUGAL
OS PORTUGUESES E O ORIENTE (1840-1940)
Thai
Sobre a exposição About the exhibition
Sião China Japão
Apresentação
Wencselau de Moraes
A Ásia, essa desconhecida
Do Oriente Português
Portugal e o Oriente
Catálogo da Exposição

A Ásia, essa desconhecida: razões para uma exposição - Miguel Castelo-Branco, Chefe de Divisão de Actividade Cultural e Científica da BN, Comissário da Exposição Os Portugueses e o Oriente

Miguel Castelo BrancoO Oriente continua a ser, para a generalidade dos nossos concidadãos – e até para alguns dos nossos mais altos decisores políticos e agentes económicos ! – uma referência lateral, um quase-ausente da informação e do conhecimento tidos como necessários e elementares para a compreensão e inserção no mundo contemporâneo.

Esta ignorância é tanto mais inquietante se atentarmos no facto de Portugal, que foi pioneiro das relações com a Ásia, aí permanecendo até à entrada do novo milénio, desconhecer a magnitude das grandes transformações em curso no Sudeste-Asiático e Extremo-Oriente, cujas repercussões económicas, financeiras, tecnológicas, culturais, políticas e sociais fatalmente se farão sentir no nosso país.

A emergência da megapotência chinesa, a alteração profunda – já em curso – da política externa japonesa e a elevação da Tailândia a potência regional, ocorrem a par da globalização, do abatimento das fronteiras económicas, dos fluxos migratórios, da mobilidade crescente de capitais e investimentos, bem como no trepidante curso da mudança de mentalidades e atitudes que varrem o planeta deste o fim da Guerra Fria.

Pequena potência, mas detentor de um capital de raro prestígio na Ásia – por não se ter envolvido nos períodos mais próximos em conflitos coloniais naquelas regiões; por não oferecer uma política externa económica agressiva de competição com aqueles países; por integrar a União Europeia e a OTAN; por ser detentor do terceiro idioma mais falado no hemisfério ocidental; por ter na Ásia um país de língua oficial (Timor) e uma impregnada presença na Região Administrativa Especial de Macau, que a China tem preservado e respeitado – Portugal parece reunir todas as condições para parcerias da mais relevante expressão na cooperação entre o mundo atlântico e o mundo do Pacífico.

Contudo, entre nós, persiste ancorada a ideia do em “exotismo” asiático feito de geishas, samurais, mandarins, elefantes brancos, rajás e dançarinas tailandesas, num despropósito que toca a caricatura. Não havendo informação, persiste-se no trágico erro de supor a Ásia longe de mais. Não havendo curiosidade, subscrevemos como de total actualidade essas outras igualmente generalizações com que Pierre Loti, Puccini e Pearl Buck – mas também as fitas de Kurosawa – ajudaram a construir a imagem de terras longínquas.

Não tem havido, senão marginalmente, uma política concertada de esclarecimento sobre a Ásia contemporânea, e até nos curricula escolares campeia um desinteresse que se poderá considerar suicida em áreas de conhecimento estratégico fundamentais para a vida empresarial portuguesa - Gestão e Administração, Economia e Finanças, Marketing e Publicidade - , para a diplomacia (Relações Internacionais), para as ciências sociais e humanas (Sociologia, História, Antropologia) e até para as “artes comerciais” (design e moda) e mentalidades (religiões, filosofia e moral “asiáticas”).

A Ásia de que trata a presente exposição – Sião/Tailândia, China e Japão – pretende revelar a permanência de uma relação luso-siamesa-chinesa-nipónica para lá das apertadas Muralhas do Cerco de Macau e para além do século de ouro da expansão portuguesa na Ásia (século XVI), permanentemente estudado pelos nossos historiadores.

O período que media entre 1840 e 1940, isto é, do fim do isolamento chinês ao epílogo da Segunda Guerra Mundial, ao qual sucedeu um novo ciclo histórico marcado pela tomada do poder pelos comunistas na China, pelo fim do expansionismo militar nipónico e pelas terríveis guerras que ensanguentariam o Sudeste Asiático ao longo das décadas de 50, 60 e 70 do século XX, parece corresponder, grosso modo, ao tempo de vida desse homem tão particular – e tão universal – que foi Venceslau de Morais, cujos 150 anos são agora legitimamente comemorados.

Homenagem ao esteta e ao literato, mas também ao diplomata e ao homem que, roído de saudades, se exilou nas paragens do Sol Nascente e aí lançou novas raízes (e amores) sem jamais esquecer o seu país natal, pretende esta exposição revelar outros homens e impressões de compatriotas nossos que pela Ásia peregrinaram em aventuras guerreiras, funções diplomáticas, missões comerciais e religiosas ao longo de cem anos.

 
 
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