Hans Christian Andersen: 1805-1875. EXPOSIÇÃO NA BN DE 3 DE MARÇO A 14 DE MAIO DE 2005
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SOBRE A EXPOSIÇÃO
 

Evocar Hans Christian Andersen pela palavra e pela imagem
(Continuação)

Alguns desses livrinhos eram constituídos por simples folhas de papel que o próprio Andersen cosia umas ás outras; porém, outros foram cuidadosamente encadernados. Mas em todos, o material usado nas colagens era variado e ia desde bilhetes de teatro e rótulos a bilhetes de lotaria, com os quais obtinha composições artísticas, antecipando-se de várias décadas aos pintores do cubismo.

Integrava-lhes silhuetas de criação pessoal, os seus famosos recortes, arte em que, como se sabe, foi exímio. E que terá tido origem provavelmente quando, criança ainda, manipulava bonecos de papel num teatrinho de fantoches que o pai lhe carpinteirara.

Julga-se que Andersen terá executado mais de 1100 recortes, utilizando uma enorme tesoura que sempre o acompanhava, mesmo nas suas numerosas viagens ao estrangeiro; dado que, embora cisne festejado e célebre, nunca perdera a sua timidez de patinho feio, o recorte seria a sua maneira mais fácil de comunicar, particularmente quando não dominava a língua falada no país que visitava, e muito em especial quando queria estabelecer uma relação de convívio com crianças.

Pelo testemunho da viúva de Carlos O'Neill, recolhido em 1905 por Carl Olson, sabemos que Andersen durante a sua estadia em Portugal, de Maio a Agosto de 1866, divertia muito uma menina, sobrinha dos seus anfitriões, recortando para ela silhuetas, bonecos e paisagens, "verdadeiras pequenas obras de arte", no dizer daquela senhora, e que deslumbravam a criança.

"Quando era pequena" - escreveu Bodild Holstein, outra dessas crianças privilegiadas que tiveram a felicidade de conhecer Hans Christian Andersen - "ficava encantada ao vê-lo recortar em papel branco grinaldas e bonequinhas que eu punha de pé em cima da mesa, soprando-lhes para as ver balouçar. Recortava também muitas silhuetas que a minha mãe depois colava em abat-jours. Recortava-as sempre com uma tesoura enorme, e constituía para mim um grande mistério, como era ele capaz de recortar figurinhas tão delicadas com as suas grandes mãos e aquela tesoura enorme."

Para outra pequenita sueca, recortou certa vez uma mesquita com seus minaretes e janelas rendilhadas, e, a pedido da avó dessa menina, moldes para as deliciosas e tradicionais bolachas de gengibre que a referida senhora confeccionava.

Muito frequentemente oferecia também bonecos recortados para decorar árvores de Natal, o que nos traz á lembrança a deliciosa e comovente história "O Abetozinho" que conheceu a glória resplandecente da noite em que foi rei e centro de todas as atenções, e amareleceu pouco a pouco num desvão do sótão, conservando no entanto a saudade do seu passado feliz.


 

Pierrot, anão e a bailarina. Recorte em papel.

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