Hans Christian Andersen: 1805-1875. EXPOSIÇÃO NA BN DE 3 DE MARÇO A 14 DE MAIO DE 2005
Cronologia
O CONTISTA A VIAGEM A PORTUGAL
OS CONTOS EVOCAR HC ANDERSEN
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SOBRE A EXPOSIÇÃO
 

Evocar Hans Christian Andersen pela palavra e pela imagem
(Continuação)

Em mais do que um dos contos que escreveu, aparecem referências a esse dom. No Conto "As flores de Ida", por exemplo, um estudante recorta para entreter a pequena protagonista "Corações com meninas a dançar, flores, grandes castelos de que se podia abrir a porta".

De papel, equilibrada num pé só e à entrada de um desses castelinhos, é também a bailarina que faz palpitar o coração do valente soldadinho de chumbo, o qual por sua vez navega e naufraga num barco de papel de jornal.

No conto que intitulou "O Linho", é finalmente em pedacinhos de papel que as frágeis plantas de flor azul se transformam depois de terem sido pano urdido no tear; cisnes, bailarinos, pierrots são os motivos predilectos dos seus recortes. E cegonhas, animal que de certo modo foi também para ele uma identificação, já que a sua figura magra, de longas pernas e nariz ponteagudo, o tornava muito semelhante àquelas aves de arribação.

Como elas viajante, Andersen percorreu a Europa, relacionando-se com as personalidades mais em evidência no mundo da cultura contemporânea: Balzac, Lamartine, Alfred de Vigny, Victor Hugo, Lizt, Heine, Elizabeth Barret Browning, Dickens, de quem foi até amigo pessoal.

Daí lhe terá ocorrido a lembrança de construir um originalíssimo biombo de quatro corpos cujos painéis foram inteiramente forrados com recortes de revistas ilustradas e outras publicações, representando paisagens e figuras célebres de países vários: Alemanha e Áustria, Grã-Bretanha, França, Noruega e Suécia; à Dinamarca e aos Dinamarqueses reservou, como é natural, mais espaço: dois painéis; outro consagrou-o a imagens do Oriente de que aliás só chegou a visitar a Turquia, mas de que nos dá tão minuciosos detalhes como se fosse a pintura delicada de uma chávena de chá, no conto "O Rouxinol do Imperador ".

E, finalmente, dedicou outro painel à Infância.


 

Ilustração de Mikhail Fiodorov

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