Hans Christian Andersen: 1805-1875. EXPOSIÇÃO NA BN DE 3 DE MARÇO A 14 DE MAIO DE 2005
Cronologia
O CONTISTA A VIAGEM A PORTUGAL
OS CONTOS EVOCAR HC ANDERSEN
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SOBRE A EXPOSIÇÃO
1 - A PARTIDA DE COPENHAGA : Janeiro de 1866 2- A CHEGADA A LISBOA: A estada em casa da família O'Neill 3 - A VISITA A SETÚBAL: A Quinta dos Bonecos 4 - A PASSAGEM POR AVEIRO: A Holanda Portuguesa 5 - COIMBRA TEM MAIS ENCANTO: A Mais Bela Cidade Portuguesa 6 - INIGUALÁVEL SINTRA: Verde Luxuriante 7 - O REGRESSO A COPENHAGA: Setembro de 1866 8 - IMPRESSÕES DE VIAGEM

Impressões de Viagem

Escreveu Andersen algo durante o tempo que entre nós se manteve de 6 de Maio a 14 de Agosto de 1866 ? Recebeu no nosso país qualquer inspiração, tomou notas, iniciou alguma obra ?

«A 3 de Junho assinala no diário que começou a trabalhar num conto «sobre o General e a Generala» que veio a ser «O Filho do Porteiro» (Portnerens Son). Em Setúbal lê Lamartine, alegrando-se por compreender o francês, mas «não sente vontade de fazer qualquer coisa». Em 26 de Junho começou a escrever o conto sobre o «skruptudsen» (duende) e sente-se atormentado pelo calor, observando que entre as dez e as quatro há simplesmente que deixar-se estar e não se mexer. Interessa-se pelo burro que anda continuamente à volta da nora, com os olhos vendados no meio da bela paisagem, e escreve à Senhora Melchior que já começou «pouco a pouco a falar com ele», registando no diário que pensa aproveitar o tempo para um conto, o que nunca chegou a fazer.

«Numa carta para Reutzel, Andersen comenta sumariamente as suas actividades literárias em Portugal. Na «Quinta do Pinheiro», diz ter começado uma narrativa que quase ficou completa, portanto «Portnerens Son» (O Filho do Porteiro), tendo em Setúbal colhido impressões e material para dois novos contos que estão esboçados. Esses «esboços que podem vir a ser trabalhados em casa» são, na indicação dos resultados literários da viagem, em carta para Edv. Collin de 12 de Junho, «Diamanten i Froens Hoved» (O Diamante na Cabeça da Rã), isto é, «Skruptudsen» e «Kloverblomster» (A Flor de Trevo) que não chegou a concretizar-se. A esta produção acrescenta duas ou três pequenas poesias, das quais destaca «Dansker Poeter i Bouquet» (Poetas Dinamarqueses num Ramalhete), antiga versão da que veio a ser publicada nas Obras Completas de 1879, trazendo a nota «A um amigo em Portugal, familiarizado com a poesia dinamarquesa».

Nas anotações aos contos publicados nas Obras Completas de 1868, Andersen refere que «Skruptudsen» foi composto durante a sua estadia em Setúbal no Verão de 1866. «Vindo de um poço profundo, onde a água é tirada em bilhinhas assentes numa grande roda e depois derramada por um sistema de canalização nas quintas» — explica o contista dinamarquês que viu um dia um feio duende (Skruptudsen) cujos olhos sagazes, contudo, lhe inspiraram o conto que depois foi trabalhado na Dinamarca, recebendo como ambiente a natureza dinamarquesa. Nas Obras Completas de 1879 pode ler-se também uma pequena poesia com o título «Em Setúbal» que foi dedicada à Senhora O'Neill (traduzida em francês no seu álbum), escrita com profunda compaixão pela perda recente da sua filha».

«Outros dois locais em Portugal tentaram a imaginação de H. C. Andersen. Tróia com os seus areais, as ruínas sepultas na água e os barcos carregados de sal, é referida em Uma Visita em Portugal em 1866, onde afirma que as pedras que servem de lastro aos barcos vindos de distantes pontos do globo seriam só por si assunto para um conto, comentando ainda numa carta para a Senhora Melchior: «Tróia constitui matéria para todo um conto : mas onde não a há» !

«Impressionado pela romântica vida académica de Coimbra, Andersen logo pensa num «romance sobre dois estudantes de Coimbra, um vivendo para o estudo, outro para se divertir, andar a cavalo, cantar e namorar as raparigas, gozar a vida», mas infelizmente não passou do número das obras projectadas pelo escritor.

«Deste modo se pode documentar a actividade literária de Andersen, durante os três meses que viveu em Portugal. Se a viagem ao nosso país lhe deu conhecimentos e experiências, «um novo manancial de recordações», como ele próprio escreveu, não se pode afirmar que tenha sido especialmente frutificadora, como aliás não foram as últimas viagens empreendidas. Os traços deixados nas obras acima indicadas são bem pouco distintos, também não se excluindo da técnica generalizada da sua produção, em que tudo se funde em certa idealização nacional. Por outro lado, o contista dinamarquês, sempre em «tensa disposição», na expressão do amigo português que o convidou a visitar Portugal, Jorge O'Neill, nunca se sentiu durante esse período disposto a consagrar-se inteiramente a qualquer obra. Assim expressamente o declarou numa carta para a Senhora Melchior escrita de Setúbal; «Não tenho ainda, portanto, o descanso espiritual necessário para criar uma obra»


Ampliar obra

Nuvens solitárias pairavam, carregadas, sobre a Serra da Arrábida, lançando sombras em baixo, no vale fundo. Quanto mais alto subíamos, mais alto se elevava no horizonte o vasto mar. Toda a natureza era de uma gravidade, de uma tranquilidade, imperturbada por qualquer ave. [...]

H. C. AndersenUma visita em Portugal em 1866

1 - A PARTIDA DE COPENHAGA : Janeiro de 1866 2- A CHEGADA A LISBOA: A estada em casa da família O'Neill 3 - A VISITA A SETÚBAL: A Quinta dos Bonecos 4 - A PASSAGEM POR AVEIRO: A Holanda Portuguesa 5 - COIMBRA TEM MAIS ENCANTO: A Mais Bela Cidade Portuguesa 6 - INIGUALÁVEL SINTRA: Verde Luxuriante 7 - O REGRESSO A COPENHAGA: Setembro de 1866 8 - IMPRESSÕES DE VIAGEM
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