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Obras de Júlio Pomar sobre Dom Quixote
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Biografia de Miguel Cervantes D. Quixote Ilustradores de Dom Quixote
* Ilustradores de Quixote na Biblioteca Nacional * A Exposição

POMAR, Júlio, 1926- D. Quixote e os Carneiros, 1960. Buril 20,3 x 15,3 cm / papel: 52,5 x 40 cm, Atelier Gravura, Lisboa. Ed. do Autor Prova de Artista II/VII / Ass., dat. Lisboa, col. Fundação Júlio Pomar.

Em 1605, Miguel de Cervantes (1547-1616) deu à estampa a 1.ª parte de El ingenioso hidalgo Don Quixote de la Mancha, obra-prima da literatura universal cuja 2.ª edição saiu em Lisboa ainda nesse ano de 1605, completada com a 2.ª parte em 1615. Foi editada por trinta vezes no séc. XVII, quarenta no séc. XVIII, duzentas no século XIX e cerca de três por ano no século XX, sendo hoje considerado o livro mais lido em todo o mundo depois da Bíblia. Justamente considerado como o primeiro romance da literatura europeia moderna, Dom Quixote inspirou, ao longo dos tempos, a partir da figura patética que representa o mito da cavalaria medieval decadente, muitos outros personagens e muitas outras fantasias não apenas nas letras, mas também nas artes.

Amante de bem comer, menos de vestir, Dom Quixote gastava as suas muitas horas de ócio a ler livros de cavalaria, enchendo a casa de literatura cavaleiresca e embebendo-se «tanto na leitura, que levava as noites a ler, desde lusco-fusco a lusco-fusco, e igualmente os dias, desde sol a sol. E assim, de pouco dormir e muito ler, aconteceu ressecarem-se-lhe os miolos e toldar-se-lhe de todo o juízo», como pode ler-se logo nas primeiras linhas do romance na engenhosa tradução de Aquilino Ribeiro.

Para assinalar o IV Centenário da efeméride com o apoio do Instituto Cervantes em Lisboa, a Biblioteca Nacional reúne, a partir das suas colecções, alguns dos ilustradores do Quixote de Cervantes. De entre os portugueses, salientam-se os desenhos de Manuel Macedo (1839-1915), Francisco Pastor (1850-1922), Alfredo de Morais (1872-1971), Alonso, Eduardo Teixeira Coelho (1919-2005), Lima de Freitas (1927-1998) e Júlio Pomar (1926), para edições saídas, respectivamente, em 1877, 1954 e 1959. Nos estrangeiros, o destaque vai para uma série de 25 gravuras, segundo os cartões para tapeçaria encomendados, em 1716, por Luís XV a Charles-Antoine Coypel (1694-1752) e publicadas em Paris, entre 1723 e 1736.

Em simultâneo, estará patente a mostra «Ler a Mancha», organizada pela revista Ler e igualmente com o apoio do Instituto Cervantes, com excertos de textos de Vasco Graça Moura, António Mega Ferreira, Diniz Machado, José Eduardo Agualusa e Francisco José Viegas, e ilustrações de André Letria, Pedro Nora, Alex Gozblau, Gonçalo Pena e Bela Silva.

O Catálogo

Por ocasião do tricentenário da primeira edição do Quixote, em 1905, a Biblioteca Nacional realizou uma Exposição Cervantina em cujo Catálogo, só saído a lume três anos depois, foram reunidas mais de 600 referências sobre a vida e obra de Cervantes.

Xavier da Cunha, então Director da BN, deu conta do propósito que animou a primeira biblioteca portuguesa ao apresentar ao público

...todas as edições que a Biblioteca possui do D. Quixote, quer no original, quer em traduções, incluindo nestas as edições que existem de traduções portuguesas […] todos os exemplares das novelas de Cervantes, das suas composições poéticas, e de quaisquer outros escritos seus, tanto no texto original, como em versões […] as importantíssimas monografias de autores portugueses e autores estrangeiros, já particularmente sobre o D. Quixote, já sobre as outras produções de Cervantes, já finalmente sobre a vida e os méritos literários do glorioso novelista; as composições que do D. Quixote derivaram sua origem, quer no campo das novelas, quer no campo das obras dramáticas […] os livros referentes ao hipotético encontro de Cervantes nos cárceres argelinos com o célebre Manuel de Sousa Coutinho […] as obras que Cervantes descreveu como existentes na livraria do seu cavaleiro andante...

Tal foi o generoso projecto que ensaiamos, de alguma forma, ilustrar e actualizar no presente catálogo. Cem anos volvidos, ao mesmo tempo que tornamos acessível aos estudiosos, através da Biblioteca Nacional Digital, aquele que foi um dos primeiros catálogos de exposições que a BN realizou (http://purl.pt/863), procuramos completá-lo, acompanhado do traço de alguns dos mais importantes ilustradores do Quixote de Cervantes, representados nas nossas colecções.

O catálogo contém ainda textos de Claudio Alvar (“O Quixote: breve história de uma longa tradição”) e de Maria Fernanda de Abreu (“O Quixote em Portugal e na Biblioteca Nacional”), e uma antologia “Cervantes e o Quixote na crítica portuguesa de Oitocentos”.

 
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