Biblioteca Nacional - Página Inicial Eça de Queirós - Assinatura
 

fizemos, se bem me recordo, três revoluções 1861-1866

1861
Em Outubro de 1861, presta a última prova de ingresso nos estudos superiores; matricula-se ainda nesse mês na Universidade, penúltimo inscrito na Faculdade Jurídica, no mesmo ano do advento do reinado de D. Luís, e instala-se num quarto à Rua do Loureiro, na cidade de Coimbra.

 

1862
Embora sem papel de relevo, terá participado na primeira das «revoluções» estudantis que referenciaram a geração, contra o tradicionalismo da Alma Mater e o autoritarismo do reitor Basílio Alberto de Sousa Pinto: a 8 de Dezembro de 1862, na habitual sessão dos laureados no ano lectivo anterior, reunida na Sala dos Capelos, estudantes membros da secreta Sociedade do Raio protestaram de pé e braços dados, na primeira fila, logo que o reitor iniciou o discurso da praxe; saíram da sala e arrastaram com eles todos os colegas, deixando a cerimónia quase deserta. Na sequência, o jovem Eça subscreve um «Manifesto dos Estudantes da Universidade de Coimbra à Opinião Ilustrada do País», redigido por Antero de Quental e assinado por grande número de alunos, contra o reitor que, depois de agraciado com o viscondato, acabou por demitir-se no ano seguinte.

   

1863
No começo do 3º ano lectivo, muda residência para a Rua do Salvador, onde passaria a reunir-se o «concílio formidável», quando não no quarto de Carlos Mayer, à Rua do Forno - a que chamou «o Hotel Rambouillet do romantismo», primeira expressão da boémia intelectual coimbrã em que Eça se envolveu.
Volta a participar em manifestações contra a praxe académica: pelo nascimento do príncipe D. Carlos, herdeiro real, a 23 de Setembro de 1863, pretendiam os estudantes direito de dispensa de provas finais. Tendo solicitado a benesse, os estudantes viram-na ser recusada por portaria de 25 de Abril de 1864: insurgiram-se, dando lugar à segunda «revolução», que ficou conhecida por Rolinada, a partir do momento em que queimaram junto à Porta Férrea um mono de palha alusivo ao Duque de Loulé, Nuno Rolim de Moura Barreto, então chefe do Governo. Tendo o Governador Civil de Coimbra requisitado uma força de infantaria do Porto, os estudantes ofenderam-se, reunindo em assembleia onde Antero de Quental, então finalista, sugeriu que se dirigissem de combóio para o Porto. Aí, talvez rondando a meia centena, reunidos no teatro Baquet e com o único apoio local dos colegas da Academia Politécnica, decidiram os estudantes regressar a Coimbra - não sem que os acontecimentos fossem alvo de acesa discussão parlamentar, em que apenas contaram com o apoio do jovem deputado Tomás Ribeiro.
Data de então a aproximação a Quental, que Eça já antes conhecera de longe e no-lo descreve filosofando nas escadarias da Sé Nova de Coimbra, «um homem de pé que improvisava».

 

1864
Foi através do teatro que Eça fez os seus primeiros contactos com a literatura: durante os anos de estudante, participou activamente como actor no Teatro Académico da Universidade, no qual afirma ter desempenhado sempre papéis de «pai nobre» ou «grave»; tornou-se conhecido o seu desempenho da personagem Correia Garção numa peça em verso intitulada Resignação e assinada por Teófilo Braga.
Numa altura de conhecidas manifestações estudantis pela Europa, nomeadamente nas universidades de Madrid e Paris, a terceira «revolução» coimbrã não constituiu já uma insurreição universitária, mas uma verdadeira renovação ideológica e literária: a célebre Questão Coimbrã, na sequência da publicação das primeiras obras poéticas da jovem geração.

   

1865
A polémica estala no último trimestre de 1865, quando Antero de Quental, já bacharel, respondendo com dureza às críticas que António Feliciano de Castilho - no prefácio de um livro de versos de Pinheiro Chagas (Poema da Mocidade) - fazia à nova literatura, publica um folheto intitulado Bom Senso e Bom Gosto. Vários outros recém-escritores aderiram à questão, sendo publicados, pelos adeptos de ambos os lados, inúmeros folhetos. A questão morreu naturalmente, mas as suas consequências perduraram: a geração que a provocou logrou atingir a independência crítica e literária.
Alimentando nesta época projectos infrutíferos para a criação de um periódico juvenil, acaba por estear-se com a publicação de crónicas no jornal lisboeta Gazeta de Portugal, em grande parte sobre questões de arte (mormente sobre relações entre literatura e a música), a primeira das quais intitulada «Notas marginais», em 23 de Março de 1866. Na sequência da sua actividade teatral, traduz do francês e envia para o Teatro D. Maria II uma peça, Filidor, publicada postumamente. Conclui em 22 de Julho de 1866 a formatura em Direito, vindo a fixar-se em Lisboa por altura da inauguração da estátua a Camões, ao Loreto.

1845 Infância e Adolescência 1845-1861 Formação 1861-1866 Aprendizagem da Escrita 1866-1871 Escrita do Real 1871-1880 Outros Mundos Possíveis 1880-1888 Eterno Retorno 1888-1900
 
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