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Bicentenário de Almeida Garrett

 

Roteiro bio-bibliográfico
1799

João Baptista da Silva Leitão, a que só depois acresceram os apelidos com que se notabilizou, nasce a 4 de Fevereiro numa casa da velha zona ribeirinha do Porto, não longe da alfândega de que o pai possuía o cargo de selador-mor; a 10, é baptizado na igreja de Stº Ildefonso. Filho segundo, entre cinco irmãos, de António Bernardo da Silva e de Ana Augusta de Almeida Leitão, família burguesa ligada à actividade comercial e proprietária de terras na região portuense e nas ilhas açoreanas.

 

1804-1808

«... os felizes dias de minha descuidada meninice!»
Infância repartida pela Quinta do Castelo, para onde a família se transferiu, e a do Sardão, ambas ao sul do Douro, no concelho de Gaia. Ao legado de velhas histórias e lendas populares das criadas Brígida e Rosa de Lima junta-se o preceptorado do tio paterno, bispo de Malaca, Frei Alexandre da Sagrada Família, e do materno tio João Carlos Leitão, formado em cânones e depois juiz de fora no Faial.

 

1809-1816

«Padre, nunca!»
Partida da família para os Açores, antes que as tropas de Soult entrassem no Porto. Adolescência na ilha Terceira, destinado à carreira eclesiástica, entre a escola régia do padre João António e as aulas do erudito Joaquim Alves a que a aprendizagem no seio familiar dava sequência. Chegou a tomar ordens menores com que, por intercedência do tio Alexandre, então bispo de Angra, deveria ingressar na ordem de Cristo, mas cedo recusou prosseguir.
Primeiras incursões literárias, algumas já com o pseudónimo de Josino Duriense: Odes Anacreônticas, c. 1814 (ed. póst. 1902); algumas das primeiras poesias inclusas na Lírica; poema épico inacabado Afonseida, ou fundação do império lusitano, 1815-16 (ed. póst. 1985); um esboço trágico de Ifigénia em Tauride, 1816 (ed. póst. 1952) e a tragédia Xerxes.

 

1816-1820

«rodeado de Enciclopedistas, de Rousseaus e de Voltaires»
Autorizado a cursar Leis, matriculou-se na Universidade de Coimbra. Ao contacto com os escritores das Luzes acresceu a leitura dos primeiros românticos, enquanto transformava em ardor revolucionário a rápida adesão às ideias liberais. Se, de início, pouco escreveu, depressa intensificou a criação literária.

 

1820-1823

«Alceu imberbe, levanta-se com a revolução»
O jovem bacharel e liberal maçónico participou com ardor na revolução vintista, como poeta e dramaturgo, mas também como dirigente estudantil e orador, por entre actividades clandestinas. Curiosamente, as obras deste período, bem como a correspondência pública, eram datadas conforme o calendário francês republicano.

 

1823-1828

«Terra, mas terra estranha, de exílio»
Em precária subsistência, a distanciação de um 1º exílio permitiu-lhe melhor reflectir criticamente e actualizar conhecimentos que marcaram a viragem romântica do autor, sem completo abandono clássico e racionalista. No seguinte e curto período da primeira vigência da Carta, aplicou-se em trabalhos políticos que fixaram as bases de doutrinação liberal por que irá pautar toda a sua posterior carreira de «homem público».

 

1828-1834 «onde verdadeiramente acaba o velho Portugal e de onde começa o novo»
A um 2º exílio, em piores condições que o anterior, seguiu-se a guerra civil, período em que ao novo rumo do gosto literário junta a pedagogia liberal de uma legalidade constitucional e de uma prática das liberdades, colaborando directamente nos primeiros monumentos legislativos do liberalismo e iniciando-se na carreira diplomática.

 

1835-1840

«nova e brilhante era na vida pública»
A breve ostracismo, com que a nova administração liberal o relegou para o estrangeiro, seguiu-se o envolvimento no setembrismo, com colaboração na ordem jurídica demoliberal, e o início da carreira parlamentar, ao mesmo tempo que lançou as bases do teatro nacional.

 

1841-1850

«A literatura ganhou com este ócio involuntário»
Com a década cabralista - durante a qual «passou para os bancos da oposição», em que emergiu na liderança da minoria parlamentar, ou foi afastado das actividades públicas - coincidiu o auge da sua carreira literária, produzindo as obras-primas que definitivamente o consagraram e entre as quais não faltam as diatribes contra a nova aristocracia dos barões ou agiotas.

 

1851-1854

«pergaminhos, esses deram-mos pela opinião pública»
O início da chamada Regeneração, último acto de sinceridade política do liberalismo, de que foi paladino, marcou a sua consagração oficial, conquanto breve: foi visconde, sem que o título alcançasse desejada segunda vida; chegou a ministro, por cinco meses, vítima de intriga; nomearam-no par de um reino cujo governo rápido criticou até ao fim da vida.

Investigação de Luís Augusto Costa Dias
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