Sophia
de Mello
Breyner
Andresen

anos 20
A família
A infância
As casas
A poesia
Os ritmos
Sophia com 4 ou 5 anos
Início Introdução 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 Bibliografia e Prémios

Inventei a dança para me disfarçar.
Ébria de solidão eu quis viver.
E cobri de gestos a nudez da minha alma
Porque eu era semelhante às paisagens esperando
E ninguém me podia entender.

in Coral, 1950

outros poemas:Por Delicadeza

MAP Desde quando este interesse pela dança e como?
Desde sempre. A dança é um elemento dionisíaco ligado ao ritmo e à despersonalizacão. No poema sobre Bakkhos também se fala de uma consciência múltipla...

MAP Chegou a dançar, a aprender bailado?
Eu vivia no Porto quando era pequena e não havia nenhuma escola de ballet. Inventava danças sozinha. Anos depois não perdia os bailados que apareciam. Mas era tarde para aprender. Dançava muito sozinha e, quando os meus filhos eram pequenos, dançava para eles.

MAP Às vezes ainda dança, Sophia?
…Muitas vezes imagino bailados e argumentos para bailados.

E quando eu era ainda muito pequena, quando estava em Lisboa, logo de manhã ia para o escritório do meu avô – que eram três grandes salas seguidas, cheias de livros, de quadros, de retratos, de mapas e de mil coisas misteriosas – um lugar onde eu entrava em bicos de pés – e o meu avô punha sempre a tocar um disco de Bach – talvez por isso a música de Bach foi sempre a que melhor entendi. E na Granja, à tarde, o José Ribeiro tocava violoncelo, nuns outonos de tardes oblíquas. E quando estava no Porto ia para Matosinhos para casa do Eduardo e do Ernesto Veiga de Oliveira e ouvíamos Das Lied von der Erde do Mahler, que nesse tempo ainda não estava na moda. E em casa do António Calém a música estava sempre no centro de cada encontro. Resposta a EPC
continua...

Imagens da obra
LEGENDA Fotografias: Colecção Família de Sophia de Mello Breyner Andresen
Manuscritos: Espólio de Sophia de Mello Breyner Andresen
Entrevistas: EPC - Eduardo Prado Coelho
MAP - Maria Armanda Passos
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