Sophia
de Mello
Breyner
Andresen
anos 40
Os jardins
Os cadernos rasgados
As primeiras publicações
O casamento
Os cadernos rasgados, colado por António Calém
Início Introdução 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 Bibliografia e Prémios

Caderno I


Quando me perco de novo neste antigo
Caderno de capa preta de oleado —
Que um dia rasguei com fúria e que um amigo
Folha a folha recolou com vagar e paciência —

Tudo me dói ainda como faca e me corta
Pois diante de mim estão como sussurro e floresta
As longas tardes as misturadas noites
Onde divago e divagam incessantemente
Os venenosos perfumes mortais da juventude

E dói-me a luz como um jardim perdido

in O Nome das Coisas, 1977

outros poemas:Caderno II
António Calém
António Calém

JCV Como escreve habitualmente?
À mão, em grandes cadernos pretos com capa de oleado. Ainda tenho muitos – alguns que em tempos rasguei mas que o António Calém recolou. Aliás houve uma época em que escrevi muito pouco, quando nasceram os meus filhos todos. Então não tinha necessidade de escrever.
continua...

No espólio de Sophia existem papéis de origens variadas mas destacam-se os caderno de capa preta de diferentes tamanhos. Entre os textos mais antigos, destacam-se os Cadernos Rasgados. Vítimas de um gesto impulsivo da própria autora, foram salvos por António Calém, amigo e admirador da poesia de Sophia.
Mais tarde, ela acabou por recordar este acontecimento através de dois poemas, «Caderno I» e «Caderno II», que veio a publicar em 1977.

 
Cadernos rasgados
Cadernos rasgados
Manuscrito dos poemas Caderno I e II
Manuscrito dos poemas Caderno I e II
 
LEGENDA Fotografias: Colecção Família de Sophia de Mello Breyner Andresen
Manuscritos: Espólio de Sophia de Mello Breyner Andresen
Entrevistas: JCV - José Carlos de Vasconcelos
Biblioteca Nacional de Portugal Ficha técnica © 2011 Biblioteca Nacional de Portugal