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Sobre
os cartazes
Os 256 cartazes que podem ser consultados neste site, especialmente
concebido para a sua divulgação, estão relacionados
ou são proximamente decorrentes da I Guerra Mundial e fazem
parte da Colecção de Cartazes da Biblioteca Nacional.
Provêm, na sua quase totalidade (excepto dois cartazes de
produção britânica em língua portuguesa
e um cartaz português), da doação efectuada
à Biblioteca, em 1977, por Abílio Pacheco Teixeira
Rebelo de Carvalho (1894-1987). Este coleccionador, depois de uma
passagem por França, em plena guerra, iniciou a sua colecção
em Nova Iorque, onde permaneceu até 1929. A generosa doação
constou de 356 cartazes (entre os quais se encontram alguns duplicados)
da primeira metade do século XX, referentes a vários
temas e, actualmente, todos consultáveis na PORBASE sob o
nome do doador.
Este conjunto constitui uma ampla amostragem do tema, essencialmente,
sob o ponto de vista do cartaz americano (145) e francês (103),
já que, para além destes, apenas constam 1 italiano,
três britânicos, sendo dois em língua portuguesa
e quatro portugueses, um de 1916 e directamente relacionado com
a participação portuguesa na guerra e três posteriores,
decorrentes do conflito. Assim, pelo número e qualidade dos
exemplares que o integram, este núcleo constitui uma colecção
importante, em que se encontram representados, com alguns dos seus
melhores trabalhos, os principais designers gráficos franceses
e americanos da época, tais como Charles Dana Gibson, Francisque
Poulbot, Howard Chandler Christy, James Montgomery Flagg, Jean-Louis
Forain, Joseph C. Leyendecker, Jules-Abel Faivre, Théophile-Alexandre
Steinlen, Wladyslaw Benda, etc.
Dado os interesses em jogo e as proporções do conflito,
o cartaz foi, pela primeira vez, utilizado numa escala até
então nunca vista, consciente e metodicamente, pelos dirigentes
político-militares como arma psicológica e eficiente
mecanismo de manipulação de massas com vista ao esforço
de guerra quer na frente, quer na rectaguarda.
Em Inglaterra, até 1916, o recrutamento processou-se por
alistamento voluntário tendo-se tornado um dos principais
objectivos da propaganda. Assim, a produção de cartazes
aumentou de tal modo que o Museu Britânico optou por renunciar
ao direito de receber um exemplar de cada impresso, em consequência
do excessivo volume de depósitos.
Em França, onde vigorou o recrutamento obrigatório,
não se produziram cartazes para este fim, tendo a propaganda
incidido, predominantemente, sobre as organizações
de assistência e os empréstimos de guerra, o apelo
à utilização racional dos recursos e ao levantamento
da moral do exército e das populações civis.
Nos Estados Unidos da América, onde vigorou, a partir de
18 de Maio de 1917, o recrutamento obrigatório, a I Guerra
Mundial proporcionou as condições favoráveis
à verdadeira eclosão do cartaz contemporâneo:
existia uma forte corrente contra a participação no
conflito e, por outro lado, estavam em jogo altos interesses económicos
americanos relacionados com os fornecimentos e empréstimos,
principalmente aos países da «Entente», concedidos
desde o início da Guerra. A maior parte dos cartazes referem-se,
assim, aos empréstimos de guerra, ao esforço de produção,
à utilização racional dos recursos, às
actividades das organizações de assistência
e também ao recrutamento.
A I Guerra Mundial, iniciada em Agosto de 1914, contou com a participação
dos Estados Unidos a partir de 6 de Abril de 1917, data da declaração
de guerra deste país à Alemanha. A primeira Divisão
(14500 soldados) do exército americano desembarcou em França
em 26 de Junho de 1917, perfazendo, passado um ano, mais de 1 milhão
e meio de soldados. Decorridos cinco meses sobre a primeira grande
intervenção americana (Julho de 1918), a 11 de Novembro,
era assinado o Armistício.
Esperamos que este acervo documental, a que damos a maior acessibilidade,
possa constituir, para o leitor não especializado, um ponto
de partida para o reconhecimento da importância do material
iconográfico, nomeadamente publicitário; para o investigador,
um apoio para uma diferente e complementar forma de abordar o período
de clivagem que viu nascer o século XX.
Área de Iconografia
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